Peixe antes rejeitado vira renda e reforça mangue no RJ
Associação em Magé transforma ubarana em pratos comerciais e une geração de renda, manejo de resíduos e condicionante de licença.
Mulheres da pesca artesanal na Baixada Fluminense transformaram um pescado tradicionalmente desprezado pelo mercado em fonte de renda e motor de conservação ambiental no Rio de Janeiro. A iniciativa ocorre na sede da Associação de Caranguejeiros e Amigos dos Mangue de Magé (ACAMM), situada às margens do Rio Suruí, no recôncavo da Baía de Guanabara, onde funciona a Cozinha das Caranguejeiras. O espaço comercializa pratos elaborados com a ubarana, espécie que possui grande quantidade de espinhas finas e historicamente apresentava baixo valor comercial entre pescadores da região.
A técnica de processamento da carne, desenvolvida com base em saberes tradicionais transmitidos entre gerações, permite retirar a percepção das espinhas em receitas como estrogonofe, escondidinho, almôndegas e coxinhas. O projeto evoluiu após a aprovação em editais do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), que viabilizaram a conquista de um endereço físico provisório em 2021 e, três anos depois, a transferência para um espaço maior na própria associação, beneficiando diretamente quinze mulheres em sistema de rodízio e dezenas de famílias locais.
Além da atividade gastronômica e do turismo de base comunitária na Baía de Guanabara, que inclui observação de fauna e flora e avistamento de botos, o grupo atua no saneamento e na preservação dos manguezais. O presidente da ACAMM, Rafael Santos, destaca que a qualidade do estuário e a manutenção da espécie dependem diretamente do controle de rejeitos descartados no corpo hídrico, integrando a culinária a ações práticas de limpeza e manejo ambiental.
Limpeza de rios e condicionantes
As ações de conservação na bacia contam com o suporte de iniciativas contínuas de recolhimento de materiais descartados incorretamente. Desde janeiro, pescadores artesanais e catadores de caranguejos já retiraram 12.622 quilos de resíduos do Rio Suruí e de suas margens por meio da Operação LimpaOca, executada pela ONG Guardiões do Mar.
O trabalho conjunto com a associação e com o Projeto Andadas Ecológicas é viabilizado por meio do cumprimento de condicionantes da Licença de Instalação do Sistema Dutoviário do Complexo de Energias Boaventura, com patrocínio da Petrobras. A articulação técnica entre o licenciamento de grandes empreendimentos e o apoio a comunidades tradicionais garante recursos para fomento produtivo, educação ambiental, Pagamento por Serviços Ambientais e limpeza de manguezais na região.
Com informações de Agência Brasil: Meio Ambiente.
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