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Resíduos· 16 de setembro de 2026· 2 min de leitura

Poluição plástica reduz renda de pescadores no Vietnã em até 25%

Estudo avalia impacto financeiro de resíduos plásticos na pesca artesanal e aponta prejuízo médio de US$ 3.421 por embarcação ao ano.

Por Rafael Barcelar· Editor, engenheiro (CREA-MG)
Poluição plástica reduz renda de pescadores no Vietnã em até 25%

A poluição por plásticos nos mares do Vietnã impõe um custo anual médio de US$ 3.421 por embarcação aos pescadores artesanais, representando uma queda de 10% a 25% na renda anual dos donos de barcos. O dado consta em um estudo recente conduzido nos deltas dos rios Vermelho e Mekong, que avaliou os impactos econômicos e operacionais dos resíduos marinhos na pesca de pequena escala. A pesquisa ouviu 199 pescadores e realizou auditorias a bordo para mensurar o tempo perdido e os danos causados por sacolas, garrafas, redes de náilon e cordas.

Impacto operacional e financeiro

O levantamento detalha que a menor eficiência operacional decorrente de equipamentos danificados responde por quase um terço dos custos arcados pelos pescadores. O tempo de trabalho despendido para separar o pescado dos resíduos plásticos representa 12% das perdas, enquanto 6% correspondem a despesas diretas com o conserto de redes e a desobstrução de hélices de motores. Além do prejuízo financeiro direto, o estudo aponta riscos graves à segurança das tripulações, incluindo ferimentos severos e fatalidades durante tentativas de liberação de hélices emaranhadas em cabos e redes perdidas no mar.

Para manter o volume de captura diante da sobrepesca e da degradação ambiental, os pescadores relataram ter intensificado o esforço de pesca de forma expressiva. O número necessário de lances de rede para obter lucro subiu de seis ou sete para até 25 tentativas por saída. A disparidade regional também chamou a atenção dos pesquisadores, com as comunidades de baixa renda do Delta do Mekong sofrendo um impacto proporcional duas vezes maior do que aquelas situadas no Delta do Rio Vermelho, cenário agravado por correntes marinhas locais e pela descarga de estuários altamente poluídos.

Programas de incentivo e perspectivas

Diante do cenário, os autores do estudo defendem a implementação de programas do tipo pesca por lixo, nos quais os pescadores recebem incentivos financeiros para recolher e trazer de volta à terra firme os resíduos coletados durante as atividades. Os entrevistados indicaram que um valor de US$ 0,16 por quilo de plástico recolhido seria suficiente para viabilizar a adesão, montante alinhado ao preço de mercado de peixes de baixa qualidade comercializados para ração de aquicultura. Os cálculos dos pesquisadores apontam que um investimento anual de aproximadamente US$ 60 por embarcação seria necessário para custear a retirada integral do plástico capturado acidentalmente.

A iniciativa ganha relevância diante da meta assumida pelo governo vietnamita no Plano de Ação Nacional de Gestão de Resíduos Plásticos Marinhos de 2019, que prevê reduzir em 75% o fluxo de plásticos para o oceano até 2030, embora apenas de 10% a 15% dos resíduos plásticos do país sejam reciclados atualmente. Especialistas ressaltam que transformar pescadores em agentes ativos de limpeza exige coordenação governamental e políticas públicas estruturadas, indo além do combate estrito à poluição na fonte para mitigar os danos socioeconômicos já consolidados nas comunidades costeiras.

Com informações de Mongabay (EN).

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