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Água· 25 de agosto de 2026· 2 min de leitura

Cornualha investe em projeto para conter poluição agrícola

Conselho local na Inglaterra lança iniciativa integrando agricultores, pescadores e uso de castores para despoluir bacia hidrográfica e proteger habitats marinhos.

Por Rafael Barcelar· Editor, engenheiro (CREA-MG)
Cornualha investe em projeto para conter poluição agrícola

O conselho de Cornwall, na Inglaterra, estruturou a iniciativa Fal Rivers to Reef para combater a poluição difusa e recuperar a qualidade da água ao longo de uma bacia hidrográfica que abrange 22 mil hectares de terras agrícolas e áreas florestais, desde Goss Moor até o estuário de Falmouth. A medida ocorre após dados oficiais publicados pelo Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais do Reino Unido (Defra) apontarem que o rio Fal inferior falhou em atingir o status ecológico positivo devido a dejetos do setor agrícola e da indústria de saneamento. A situação tem gerado proliferação de algas oportunistas na região, sufocando pradarias de ervas marinhas e leitos de maerl com até 4 mil anos de idade, essenciais como berçários para espécies comerciais de crustáceos e moluscos.

Para reverter o quadro, o programa municipal articula ações práticas junto a proprietários rurais e pescadores locais, fornecendo suporte técnico e acesso a financiamentos para contenção de sedimentos e controle de escoamento superficial. Produtores da região adotaram pastagens com misturas de ervas e leguminosas para melhorar a drenagem do solo e reduzir o uso de fertilizantes químicos, além de remanejar cancelas e cercas para evitar a erosão em encostas. O projeto também atua em conjunto com a iniciativa Forest for Cornwall, que recentemente garantiu 8,7 milhões de libras esterlinas em repasses adicionais do Defra para expandir a cobertura arbórea e criar zonas de amortecimento contra o escoamento de nutrientes.

Soluções baseadas na natureza

Entre as estratégias testadas para conter a carga de poluentes que desce até o estuário, o uso de castores em recintos controlados tem demonstrado eficácia na retenção de sedimentos e redução de picos de cheias. Introduzidos em uma propriedade local no ano de 2017, os animais construíram diques que funcionam como armadilhas naturais contra lodo, retendo partículas associadas a fosfatos, nitratos e patógenos antes que alcancem os leitos de ostras nativas. O criador responsável pelo manejo já encaminhou pedido de licença para soltar 150 animais em outras áreas do condado, visando ampliar o impacto positivo na retenção de matéria particulada.

A degradação da qualidade da água e o excesso de silte vinham ameaçando diretamente a pesca tradicional de ostras na baía, onde mergulhadores e pescadores artesanais dependem de substratos limpos para o desenvolvimento dos moluscos. Com o avanço das oficinas de integração promovidas pelo conselho municipal, o setor pesqueiro e os produtores rurais passaram a alinhar demandas conjuntas de conservação. Na prática, a união entre gestão de bacias, manejo de solo nas fazendas e infraestrutura natural reduz os custos operacionais com remediação e protege os recursos hídricos contra passivos de poluição difusa.

Com informações de The Guardian: Environment.

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