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Biodiversidade· 22 de setembro de 2026· 2 min de leitura

Governo cria 4 reservas na Amazônia para licenciar pavimentação

Decretos assinados em setembro protegem mais de 668 mil hectares para mitigar impactos da pavimentação da rodovia BR-319.

Por Rafael Barcelar· Editor, engenheiro (CREA-MG)
Governo cria 4 reservas na Amazônia para licenciar pavimentação

O governo federal brasileiro oficializou a criacao de quatro novas reservas de desenvolvimento sustentável na regiao amazônica, em uma tentativa de contrabalançar os impactos ambientais previstos para o projeto de pavimentação total da rodovia BR-319. Os decretos foram assinados em 8 de setembro e abrangem uma área superior a 668 mil hectares sob o modelo de uso sustentável, que permite a permanência de moradores tradicionais e a extração regulada de produtos florestais. A medida integra a estratégia da atual gestão para destravar o licenciamento da estrada que conecta Manaus a Porto Velho.

A gestao das novas unidades de conservacao ficará a cargo do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, o ICMBio, autarquia vinculada ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Além das áreas principais, os decretos instituem zonas de amortecimento ao redor de tres dessas reservas, adicionando outros 109,718 hectares sob regimem de proteção parcial, espaço onde a atividade de mineração poderá ser permitida conforme as regras específicas de cada polígono.

A rodovia BR-319 possui um trecho central de 339 quilômetros que permanece intransitável durante o período de chuvas. A pavimentação completa da via é debatida há decadas e gera preocupação acentuada entre analistas ambientais devido ao risco histórico de avanço do desmatamento na regiao, historicamente marcado pelo padrao em espinha de peixe com ramificações clandestinas a partir da estrada principal.

Desafios na fiscalizacao

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o objetivo da criação das unidades e viabilizar a obra com garantias de proteção ambiental e fomento econômico sustentável. Dados oficiais apontam que a taxa de desmatamento na regiao apresentou oscilações significativas nos últimos anos, acompanhando mudanças nas diretrizes de comando e controle e a pressao especulativa sobre as terras lindeiras à rodovia federal.

Apesar da oficialização das áreas protegidas no papel, especialistas do setor apontam que a efetividade das medidas depende diretamente da capacidade operacional dos orgaos de fiscalização. O ICMBio enfrenta restrições orçamentárias históricas que limitam a presença de agentes em campo, fator apontado por especialistas em políticas públicas como o principal entrave para conter pressões ilegais de ocupação e exploração na zona de influência da rodovia.

Para profissionais da área ambiental e consultores que atuam no licenciamento de grandes infraestruturas, o caso ilustra a complexidade da compensação ambiental em empreendimentos de alto impacto. A exigencia de novas unidades de conservação como condicionante ou medida mitigadora para o avanço da BR-319 reforça o rigor técnico imposto ao processo, exigindo monitoramento continuo e capacidade de resposta institucional para evitar novos passivos de desmatamento na regiao norte.

Com informações de Mongabay (EN).

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