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Ar e Emissões· 21 de julho de 2026· 3 min de leitura

Louisiana: Monitoramento de ar tóxico é falho em polo químico

O monitoramento público do ar na Louisiana, EUA, é deficiente em áreas industriais. Há lacunas na detecção de poluentes tóxicos e leis que limitam a fiscalização ambiental.

Redação Giro Ambiental
Louisiana: Monitoramento de ar tóxico é falho em polo químico

Uma análise do Floodlight e The Guardian revelou graves deficiências na rede pública de monitoramento de qualidade do ar na Louisiana, EUA. Estações estão frequentemente a quilômetros de grandes poluidores e falham em detectar alguns dos produtos químicos mais perigosos, expondo comunidades a altos riscos de câncer ao longo do corredor industrial de 85 milhas (137 km) entre Baton Rouge e Nova Orleans.

Dez das 25 maiores instalações poluidoras do estado, com base em dados auto-declarados à Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA), operam sem um único monitor público de ar em um raio de oito quilômetros. A fábrica de plásticos da Dow Chemical em Plaquemine, por exemplo, está a 13 quilômetros da estação mais próxima, que mede apenas ozônio, ignorando poluentes cancerígenos como o óxido de etileno. A planta da CF Industries em Donaldsonville emite mais de 3.175 toneladas métricas de amônia por ano, mas nenhum monitor público mede o composto.

Os três principais produtos químicos associados ao risco de câncer na região (óxido de etileno, cloropreno e formaldeído) não são monitorados pelo estado. Grupos industriais têm combatido propostas para melhorar o monitoramento e ajudaram a redigir uma lei em 2024 que restringe o uso de dados de monitoramento comunitário em ações de fiscalização. Legislações similares foram introduzidas em Kentucky, Ohio e Virgínia Ocidental.

Um vazamento de nafta na refinaria da Marathon em Garyville, em agosto de 2023, evidenciou as limitações do sistema. O Departamento de Qualidade Ambiental da Louisiana (LDEQ) levou mais de seis horas para iniciar o monitoramento, e a evacuação de residentes só ocorreu 15 horas após o início do vazamento, que resultou em 29 pessoas tratadas em hospitais. Enquanto a refinaria da Marathon em Los Angeles monitora mais de 15 poluentes devido às regulamentações da Califórnia, a unidade de Garyville monitora apenas benzeno na cerca.

Especialistas e pesquisadores alertam para a gravidade da situação. Adrienne Katner, professora da Louisiana State University, estimou em 2022 que cerca de 400 instalações de alta emissão não possuem monitoramento público. Um estudo da Johns Hopkins University, em 2023, encontrou riscos de câncer por emissões tóxicas até 11 vezes maiores que os números da EPA em algumas áreas, sublinhando que a falta de monitores e a detecção limitada de produtos químicos significam que grande parte da poluição passa despercebida.

O estado tem recuado no monitoramento nos últimos anos. Em 2022, reguladores da Louisiana desativaram um monitor temporário em Nova Orleans, apesar das queixas de residentes e do apelo da EPA para uma estação permanente. Uma seção sobre “considerações de justiça ambiental” foi removida do plano de monitoramento do LDEQ em 2023, e o monitor de St Rose também foi desativado.

O LDEQ opera 35 estações permanentes e afirma ter uma rede robusta, mas seu diretor de monitoramento reconheceu que ela não foi projetada para comunidades próximas a indústrias. Embora possua duas vans de monitoramento móvel, o equipamento para poluentes tóxicos em 19 locais amostra apenas a cada seis dias, em um cronograma público, permitindo que as empresas saibam quando a fiscalização ocorrerá. O próprio LDEQ admite que “restrições financeiras e técnicas limitam a cobertura total”.

Desde 2020, a Louisiana perdeu quatro estações de monitoramento de ar, e o orçamento da divisão de monitoramento do LDEQ caiu quase 15% até 2026, representando mais de um terço de redução ajustada pela inflação. Para engenheiros ambientais, consultores e analistas, a situação demonstra como a falta de dados abrangentes e a influência regulatória podem criar lacunas significativas na gestão ambiental, dificultando a avaliação de riscos, a aplicação de condicionantes de licença e a fiscalização efetiva da poluição atmosférica. Profissionais do setor devem estar cientes de que a ausência de monitoramento adequado compromete a segurança jurídica e a saúde pública, exigindo uma análise mais profunda das fontes de dados disponíveis e dos riscos operacionais em contextos regulatórios menos rigorosos.

Com informações de The Guardian: Environment.

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