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Normas· 03 de setembro de 2026· 2 min de leitura

Como ler um EIA/RIMA: estrutura e o que procurar

Como percorrer um EIA/RIMA sem se perder: a estrutura do estudo e os pontos que merecem atenção em cada parte.

Por Rafael Barcelar· Editor, engenheiro (CREA-MG)
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Um EIA/RIMA tem centenas de páginas, e ler do começo ao fim sem um mapa é perder tempo. O caminho é entender a estrutura do estudo e ir direto às partes que respondem à sua pergunta, seja avaliar um impacto, checar uma medida ou preparar uma manifestação. Este guia mostra por onde andar.

O EIA é o estudo técnico completo, e o RIMA é o relatório que traduz as conclusões em linguagem acessível. Se você quer o panorama, comece pelo RIMA. Se precisa do detalhe metodológico, o EIA é onde estão os dados.

A caracterização do empreendimento descreve o que será feito, onde e como. É onde você confere porte, localização, tecnologia e fases da obra e da operação. Divergência entre essa parte e o projeto de engenharia é um sinal de alerta.

O diagnóstico ambiental retrata a área antes do empreendimento, nos meios físico, biótico e socioeconômico. Ele é a linha de base, o retrato contra o qual os impactos serão medidos. Um diagnóstico raso enfraquece todo o resto do estudo.

A identificação e avaliação de impactos cruza a ação com o ambiente diagnosticado. Repare se cada impacto vem com magnitude, abrangência e reversibilidade, e não apenas com um rótulo genérico de baixo ou alto.

O que merece atenção

As medidas de mitigação e os programas ambientais dizem o que a empresa fará para reduzir ou compensar o dano. Elas costumam virar condicionantes da licença, então vale ler com atenção quem é o responsável, qual o prazo e como o resultado será medido.

Confira a coerência entre as partes. Um impacto apontado no diagnóstico precisa reaparecer na avaliação e ter uma medida associada. Buraco nessa costura é o que os órgãos e as manifestações públicas mais cobram.

Guarde as fontes. Datas de coleta de dados, autoria dos capítulos e referências dão lastro ao estudo. Um EIA sem rastro de origem merece desconfiança, e você pode pedir esclarecimento ao órgão licenciador.

Olhe também a análise de alternativas, que mostra as opções de local e de tecnologia consideradas e por que a escolhida foi adotada. A ausência dessa comparação costuma render questionamento, porque sugere que a decisão veio antes do estudo.

Perguntas frequentes

Preciso ler o EIA inteiro?

Raramente. Comece pelo RIMA para o panorama e vá ao EIA nas seções que interessam à sua pergunta. Caracterização, avaliação de impactos e programas costumam concentrar o que importa.

Qual a diferença prática entre EIA e RIMA?

O EIA é o estudo técnico detalhado, o RIMA resume as conclusões em linguagem acessível ao público. O RIMA é a porta de entrada, o EIA é a fonte do detalhe.

Onde consigo acesso ao estudo?

Os EIA/RIMA em análise costumam ficar disponíveis no órgão licenciador, e há prazo de consulta pública. Procure o processo no site do órgão competente do seu estado ou no IBAMA.

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