Giro AmbientalNewsletter
Biodiversidade· 13 de agosto de 2026· 2 min de leitura

Incêndios na Indonésia queimam 48 mil hectares e geram crise de fumaça

A temporada de queimadas na Indonésia atinge pico com impacto transfronteiriço na Malásia, ameaça habitats de orangotangos e mobiliza 48 mil agentes.

Por Rafael Barcelar· Editor, engenheiro (CREA-MG)· atualizado em 21 de agosto de 2026
Incêndios na Indonésia queimam 48 mil hectares e geram crise de fumaça

A temporada de incêndios florestais e em áreas de turfeira na Indonésia provocou uma forte crise de poluição atmosférica na região, com fumaça que já atravessou fronteiras e atingiu o território da Malásia. O avanço das chamas levou o governo indonésio a mobilizar cerca de 48 mil profissionais e 35 aeronaves para operações de combate, monitoramento e lançamento de água em seis províncias prioritárias, incluindo Kalimantan Ocidental e Sumatra. A situação se agravou com a combinação de períodos de seca severa e o avanço de condições climáticas extremas associadas ao fenômeno El Niño.

Na província de Kalimantan Ocidental, a área afetada pelo fogo chegou a 28,680 hectares até o dia 9 de agosto, segundo dados da agência nacional de gestão de desastres da Indonésia, a BNPB. Organizações não governamentais locais apontam que a extensão total de áreas indicadas como queimadas pode ser ainda maior, superando 50 mil hectares apenas na mesma província. No acumulado das seis províncias monitoradas prioritariamente, a área atingida ultrapassou 48,800 hectares, impulsionada por mais de 154 mil focos de calor detectados por plataformas de satélite até meados de agosto.

A poluição gerada pelas queimadas cruzou a fronteira e encobriu estados vizinhos na Malásia, como Sarawak, onde o índice de poluição do ar ultrapassou a marca de 200 em distritos locais. O patamar é classificado como muito não saudável e resultou na suspensão de aulas presenciais em escolas e na transição para o ensino remoto. Dados de qualidade do ar indicaram que cidades da região registraram concentrações críticas de poluentes atmosféricos devido à fumaça vinda das ilhas indonésias de Bornéu e Sumatra.

Os incêndios também colocaram em risco áreas de conservação e centros de reabilitação de fauna silvestre. Um centro mantido por uma organização conservacionista em Ketapang registrou um foco de incêndio a cerca de um quilômetro de suas instalações, abrigando dezenas de orangotangos de Bornéu em situação crítica de reabilitação. Além disso, chamas foram detectadas nos limites de florestas de turfeira e em parques nacionais na ilha de Java, como o Bromo Tengger Semeru, comprometendo habitats naturais de espécies ameaçadas de extinção.

Especialistas e grupos ambientalistas locais questionam a capacidade de resposta imediata do governo diante da intensidade da temporada de fogo, apontando reduções orçamentárias recentes nos recursos destinados à agência de gestão de desastres. Enquanto autoridades federais afirmam manter a prontidão operacional com contingentes terrestres e suporte aéreo com técnicas de indução de chuvas, o setor ambiental monitora os impactos ecológicos de longo prazo sobre os ecossistemas de turfeira e a qualidade do ar na região do sudeste asiático.

Com informações de Mongabay (EN).

Compartilhar:WhatsAppXLinkedIn

Leia também

Mais lidas

  1. 1O que é potencial poluidor e como ele define o porte do licenciamento
  2. 2Crédito rural eleva desmatamento na Amazônia conforme o território, aponta estudo
  3. 3Licença Prévia, de Instalação e de Operação: Entenda as Etapas do Licenciamento Ambiental
  4. 4Poço artesiano precisa de outorga e de licença ambiental
  5. 5Guia Explicativo: Quanto tempo demora para sair uma licença ambiental no Brasil?

O Giro na sua caixa de entrada

As notícias que importam para quem é da área ambiental, uma vez por semana. Sem spam.