Texas: Condado processa WM por aterro; incêndio em Amarillo sob investigação
Autoridades do Texas movem ação para fechar aterro da WM inativo há anos e investigam incêndio que se espalhou de aterro municipal para casas.

Duas situações distintas envolvendo aterros sanitários no Texas (EUA) estão sob escrutínio de autoridades e comunidades, evidenciando desafios regulatórios e operacionais. O Condado de Harris anunciou a intenção de processar uma subsidiária da WM para forçar o fechamento do aterro Hawthorn, em Houston. Paralelamente, a cidade de Amarillo e órgãos estaduais investigam um incêndio que se iniciou em um aterro municipal e se alastrou, atingindo dezenas de residências.
O aterro Hawthorn, operado pela USA Waste (subsidiária da WM), está localizado próximo ao bairro historicamente negro de Carverdale e aceita resíduos de construção e industriais. Embora inativo desde 2016, a operadora recusou-se a formalizar o fechamento. O local precede as regulamentações federais modernas de aterros (Resource Conservation and Recovery Act de 1976), com sua permissão atual datando de 1994.
A ação do Condado de Harris busca compelir o fechamento devido a um padrão contínuo de “excedências de metano” na divisa da propriedade, registrado desde pelo menos 2002. Testes de água e gás realizados pelo condado em 2023, durante um processo administrativo para uma expansão que foi posteriormente retirada em janeiro de 2024, já haviam indicado níveis elevados de gases e outros constituintes. A USA Waste chegou a solicitar modificações em seu plano de gestão em janeiro de 2024 para instalar uma trincheira interceptora de gás.
Já em Amarillo, um incêndio eclodiu em 17 de maio em uma célula ativa do aterro municipal. Inicialmente controlado, o fogo se espalhou para fora da propriedade, transformando-se em um incêndio de vegetação que consumiu cerca de 800 hectares (2.000 acres). O incidente resultou na destruição de 52 casas e impactou outras 77, gerando indignação pública e uma revisão das práticas do aterro.
A cidade de Amarillo e a Comissão de Qualidade Ambiental do Texas (TCEQ) estão conduzindo investigações sobre a origem do fogo e a resposta ao incidente. Embora uma inspeção da TCEQ em maio não tenha identificado níveis elevados de poluentes pós-incidente e tenha concluído que a equipe seguiu os procedimentos de resposta a incêndio, o aterro enfrentou queixas recorrentes de lixo espalhado pelo vento, e investigadores estaduais observaram uma “grande quantidade de resíduos sem cobertura”, com funcionários relatando falta de equipamento para aplicação de cobertura diária alternativa.
Esses casos nos EUA ressaltam a crescente pressão regulatória e social sobre a operação e o fechamento de aterros. Para profissionais da área ambiental no Brasil, as situações servem como alerta sobre a responsabilidade contínua da gestão de passivos ambientais, a necessidade de rigor na aplicação de coberturas diárias e no controle de gases em aterros, e a importância da conformidade com as condicionantes de licenciamento para evitar litígios, multas e impactos severos nas comunidades vizinhas.
Com informações de Waste Dive.
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