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Resíduos· 15 de setembro de 2026· 2 min de leitura

Usina de lixo de US$ 467 mi em Daca avança com baixa de temperatura

Primeiro projeto de waste-to-energy de Bangladesh enfrenta oposição de moradores e entidades devido a emissões e flexibilização de normas térmicas.

Por Rafael Barcelar· Editor, engenheiro (CREA-MG)
Usina de lixo de US$ 467 mi em Daca avança com baixa de temperatura

A prefeitura de Daca avança com a implantação da primeira usina de recuperação energética de resíduos do país, um projeto de US$ 467 milhões localizado no entorno do aterro de Amin Bazar, na periferia da capital de Bangladesh. A iniciativa, que prevê a incineração diária de milhares de toneladas de lixo municipal para gerar 42,5 megawatts de energia, é executada pela China Machinery Engineering Corporation com aportes de bancos multilaterais, como o Banco Asiático de Infraestrutura e Investimento e o Novo Banco de Desenvolvimento. A conclusão das obras está programada para dezembro de 2028, após sucessivos atrasos no cronograma inicial.

O avanço da instalação gera forte resistência entre os moradores das comunidades vizinhas de Boliarpur e Konda, que já convivem com a queima a céu aberto de resíduos no atual complexo de descarte. De acordo com o estudo de impacto ambiental e projeções de grupos ambientalistas como o Bangladesh Working Group on Ecology and Development, a operação da unidade vai gerar dezenas de milhares de toneladas anuais de cinzas volantes e de fundo, além de liberar substâncias tóxicas como metais pesados, dioxinas, furanos e óxidos de enxofre e nitrogênio na atmosfera.

Flexibilização de normas ambientais

Para viabilizar a operação e reduzir custos operacionais, o Departamento de Meio Ambiente de Bangladesh alterou as Regras de Controle de Poluição do Ar de 2022. O limite térmico obrigatório para a queima de resíduos, que antes era de 1.000 graus Celsius, foi reduzido para 850 graus Celsius. O governo argumenta que a nova faixa de temperatura é suficiente para resíduos domésticos e que a exigência anterior era voltada para resíduos perigosos e eletrônicos.

Entretanto, entidades técnicas e ambientalistas criticam a medida, apontando que a queima em temperaturas mais baixas favorece a formação e a dispersão de material particulado e cinzas volantes. Enquanto autoridades locais defendem o aproveitamento energético de uma massa urbana de resíduos considerada crítica para a cidade, especialistas e comunidades afetadas cobram o cancelamento do empreendimento devido aos riscos crônicos à qualidade do ar e à saúde pública.

Com informações de Mongabay (EN).

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