Termelétrica opera com chaminé mais baixa e falha em controle
Estudo aponta que emissões e fuligem da Usina Termelétrica de Payra afetam comunidades e revelam falhas na fiscalização ambiental em Bangladesh.

A Usina Termelétrica de Payra, com capacidade de 1320 megawatts e operada pela Bangladesh-China Power Company Ltd., enfrenta questionamentos técnicos sobre o cumprimento de condicionantes ambientais e a eficácia da fiscalização em Bangladesh. Inaugurada em 2020 na região costeira de Patuakhali, a instalação consome entre 10 mil e 12 mil toneladas de carvão mineral diariamente. Moradores locais relatam acúmulo de fuligem nas plantações, problemas respiratórios e perda de terras agrícolas, enquanto um estudo recente associa os impactos na qualidade do ar ao descumprimento de diretrizes de proteção ecológica.
De acordo com as Regras de Conservação Ambiental de 1997 do país, empreendimentos poluidores devem submeter relatórios de emissões de chaminé e qualidade do ar para a renovação anual de suas licenças. No entanto, documentos obtidos indicam que o escritório divisional do Departamento de Meio Ambiente em Barishal falhou em realizar testes de emissão de chaminé entre 2021 e 2025. O órgão aponta limitações laboratoriais para a realização de análises exigidas pela legislação local, enquanto diretores divergem sobre a obrigatoriedade de monitoramento contínuo do ar ambiente no entorno de grandes complexos industriais.
Chaminé rebaixada e licenciamento tardio
O projeto original aprovado em 2015 previa 57 condicionantes para a emissão da licença de implantação, incluindo uma chaminé com altura mínima de 275 metros, conforme exigência para termelétricas acima de 500 megawatts para a dispersão adequada de dióxido de enxofre. Contudo, vistorias realizadas em 2020 constataram que as duas unidades da usina começaram a operar com chaminés de 220 metros, ou seja, 55 metros abaixo do especificado no Estudo de Impacto Ambiental original.
A licença de operação ambiental só foi emitida em outubro de 2020, meses após o início dos testes e da operação comercial das unidades geradoras. Posteriormente, a empresa operadora apresentou um EIA revisado, o que levou o órgão ambiental a formar um comitê de especialistas. O colegiado concluiu que a altura reduzida seria aceitável caso houvesse sistemas adequados de dessulfuração de gases de exaustão, substituindo a exigência de dispersão vertical por filtragem.
Isenção de monitoramento e impactos locais
A controvérsia ganhou novos contornos regulatórios com uma ordem emitida pelo Departamento de Meio Ambiente em maio de 2025, que isentou temporariamente categorias específicas de indústrias, incluindo termelétricas, da obrigatoriedade de apresentar resultados de monitoramento de qualidade do ar ambiente. A justificativa técnica baseou-se na aplicação das Regras de Controle de Poluição do Ar de 2022.
Para os agricultores e pescadores que vivem no entorno da usina, as falhas no cumprimento das salvaguardas ambientais resultam em degradação direta dos recursos naturais e perda de produtividade agrícola. A operação continuada da termelétrica sem o rigor analítico adequado reforça os riscos regulatórios associados a grandes fontes estacionárias de emissão de particulados e gases ácidos na zona costeira.
Com informações de Mongabay (EN).
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