Giro AmbientalNewsletter
Água· 20 de agosto de 2026· 2 min de leitura

Alga toxica no Tamisa poe em risco projeto de £ 250 milhoes e recusa licenca

Primeira area de banho oficial do Rio Tamisa em Londres registra proliferação de cianobactérias e relança debate sobre outorga de reuso de esgoto.

Por Rafael Barcelar· Editor, engenheiro (CREA-MG)· atualizado em 22 de agosto de 2026
Alga toxica no Tamisa poe em risco projeto de £ 250 milhoes e recusa licenca

Banhistas foram proibidos de entrar na primeira area oficial de banho do Rio Tamisa, em Londres, devido à proliferação de cianobactérias tóxicas conhecidas como algas azul-verdes. A descoberta ocorreu no ponto de banho de Ham e foi atribuída à combinação de temperaturas extremas, baixa vazão fluvial e poluição por nutrientes de origem sanitária. O local havia recebido a designação oficial em maio, sob a diretiva de qualidade da água da União Europeia, impulsionado por grupos locais de natação para pressionar por despoluição.

A proliferação da alga tóxica ocorre a apenas três milhas a montante da Estação de Tratamento de Esgoto de Hogsmill, operada pela concessionária Thames Water. A empresa enfrenta investigações do regulador setorial Ofwat por descumprimento de licenças operacionais e por adiar de 2024 para 2028 as obras de modernização e melhorias ambientais obrigatórias na unidade. Relatórios apontam que a estação já operou em violação de parâmetros de outorga, resultando em descargas irregulares de efluentes no corpo hídrico.

A crise sanitária complica os planos da Thames Water para um projeto de reuso de água estimado em £ 250 milhões. A iniciativa prevê a captação de 75 milhões de litros diários do Tamisa em períodos de seca e baixa vazão, repondo o volume com efluente tratado na Estação de Mogden por meio de um novo sistema subterrâneo. O empreendimento é classificado como projeto de infraestrutura estratégica no Reino Unido, o que permite tramitação prioritária apesar da forte oposição de autoridades locais e conselhos municipais.

Historicamente, a Agência de Meio Ambiente da Inglaterra já havia rejeitado uma tentativa anterior de implantar o mesmo arranjo técnico. O órgão regulador apontou que o lançamento de esgoto tratado elevaria a temperatura do rio, alteraria a salinidade e traria impactos severos para a biodiversidade aquática e para a dinâmica dos peixes. Especialistas e grupos de conservação argumentam que o projeto repõe apenas uma fração dos 570 milhões de litros diários perdidos em vazamentos na rede de distribuição da concessionária.

A Agência de Meio Ambiente instalou placas de advertência na área de banho orientando banhistas e animais de estimação a evitarem o contato com a água. A designação como zona balnear obriga o órgão regulador a intensificar o monitoramento sistemático para indicadores fecais, aumentando a pressão legal sobre as companhias de saneamento para conter o lançamento de cargas poluidoras.

A Thames Water declarou que o futuro projeto de captação e reuso não deteriorará a qualidade da água e cumprirá rigorosos padrões ambientais definidos pelo órgão regulador. A empresa argumenta que o novo ponto de descarga do efluente tratado ficará localizado a jusante da zona balnear, garantindo que o fluxo siga após o vertedouro de Teddington. Para os profissionais da área ambiental, o episódio evidencia o risco regulatório e operacional de outorgar o reuso de efluentes em bacias hidrográficas sob estresse hídrico severo e com infraestrutura sanitária deficitária.

Com informações de The Guardian: Environment.

Compartilhar:WhatsAppXLinkedIn

Leia também

Mais lidas

  1. 1O que é potencial poluidor e como ele define o porte do licenciamento
  2. 2Como medir ruído ambiental conforme a NBR 10151
  3. 3Como preencher e entregar o RAPP anual ao IBAMA
  4. 4Totens de segurança em BH: projeto define regras para o uso do espaço público
  5. 5Poço artesiano precisa de outorga e de licença ambiental

O Giro na sua caixa de entrada

As notícias que importam para quem é da área ambiental, uma vez por semana. Sem spam.