Poluição em lago no Reino Unido mobiliza agência ambiental
Incidente de poluição em East Sussex dima mais de 2.000 peixes e leva agência ambiental britânica a classificar o caso como categoria máxima.

Na manhã de 20 de junho de 2024, proprietários de um lago alimentado por riacho em East Sussex, na Inglaterra, encontraram milhares de peixes mortos na superfície da água. O evento atingiu uma área de 2,4 hectares e dizimou cerca de 15 espécies de peixes, incluindo carpas, trutas e enguias. A mortandade repentina encerrou as atividades do negócio de pesca local e causou perdas financeiras estimadas em 500 mil libras esterlinas. Biólogos estimam que o ecossistema local precisará de um período entre 10 e 15 anos para se recuperar integralmente.
Dois dias após o ocorrido, a Environment Agency (EA), órgão regulador britânico equivalente aos órgãos estaduais de meio ambiente no Brasil, classificou o episódio como um incidente de Categoria 1. Esta é a gradação mais severa para ocorrências ambientais, indicando impacto grave, extenso ou persistente no meio ambiente. Os proprietários e sua equipe precisaram remover 15 carregamentos de reboque com peixes mortos, que foram enterrados por orientação da própria agência.
Investigação e Origem da Poluição
Inicialmente, os responsáveis pelo local suspeitaram de falha na gestão própria do estoque de peixes. Contudo, inspeções no riacho Clippenham, que abastece o lago, revelaram que a mortandade de fauna se estendia por todo o curso d'água, atingindo mexilhões de água doce, lampreias e trutas selvagens. Consultores ecológicos locais rastrearam a mancha de poluição até um tributário conectado a uma propriedade vizinha, chamada Morgans Farm.
No local, inspetores identificaram água com coloração alterada para azul-escura e presença de uma camada espessa de escuma bacteriana, fenômeno conhecido tecnicamente como "queijo bacteriano". O excesso maciço de nutrientes na água provocou uma proliferação explosiva de bactérias que consumiram o oxigênio dissolvido, causando sufocamento em massa da fauna aquática. A investigação apontou que a descarga tóxica originou-se de uma fossa ou lagoa de chorume localizada na propriedade vizinha, que foi posteriormente aterrada e coberta com solo e fardos de feno.
Impacto Regulatório e Prática Setorial
O caso escancara a vulnerabilidade dos recursos hídricos e a dificuldade de fiscalização em áreas rurais isoladas, um desafio enfrentado também por órgãos de controle ambiental em diversas jurisdições. Para os profissionais de consultoria e gestão ambiental, o episódio reforça a necessidade rigorosa de monitoramento de efluentes, controle de descargas orgânicas e fiscalização de passivos ocultos em propriedades rurais adjacentes a corpos hídricos sensíveis. A recuperação do ecossistema em East Sussex permanece sob acompanhamento técnico para reverter os danos gerados pelo lançamento irregular de carga orgânica.
Com informações de The Guardian: Environment.
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