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Resíduos· 30 de julho de 2026· 2 min de leitura

Indústria têxtil vaza 92 mil toneladas de microfibras por ano no mundo

Relatório da Earth Action revela que estações de tratamento só retêm 37% das partículas geradas na fabricação de tecidos.

Redação Giro Ambiental
Indústria têxtil vaza 92 mil toneladas de microfibras por ano no mundo

A fabricação global de tecidos gera anualmente 92 mil toneladas de poluição por microfibras no meio ambiente, revela o estudo "From Shedding to Solutions", publicado pela organização Earth Action. Conforme o levantamento, a infraestrutura existente de tratamento de efluentes industriais consegue reter apenas 34 mil toneladas desse volume, o equivalente a 37% das perdas totais registradas na fase de produção.

As perdas na etapa de manufatura concentram-se em grandes polos têxteis da Ásia. Bangladesh lidera o volume global de descarte com 25% do total, seguido pelo Paquistão com 17% e pela China com 12%, somando 54% de toda a perda industrial do planeta. O relatório pondera, contudo, que altos índices de perda na produção não se traduzem automaticamente nos maiores níveis de contaminação ambiental direta, pois isso depende do nível de tratamento local.

As microfibras são partículas microscópicas, frequentemente plásticas, desprendidas dos fios durante os processos industriais, uso diário e lavagem. Uma vez lançadas em corpos hídricos, essas estruturas mostram-se extremamente difíceis de remover, migrando por rios e oceanos até ingressarem na cadeia alimentar e no organismo humano.

O estudo projeta que o setor têxtil pode reduzir os vazamentos industriais de microfibras em aproximadamente 95% até 2032. Para alcançar essa meta, o relatório aponta para a combinação de três frentes técnicas: a modernização do tratamento de efluentes líquidos, a disposição final controlada do lodo das estações e a adoção de processos produtivos mais limpos.

Especialistas e representantes da indústria apontam que a medição de emissões deixou de ser suficiente para conter o passivo. O foco da gestão ambiental no setor têxtil deve migrar para o início da cadeia, incorporando o desenvolvimento de tecidos com baixo desprendimento de fibras diretamente nos parâmetros de engenharia e design de produto.

Para profissionais de licenciamento e gestão ambiental, o avanço desse diagnóstico pressiona por exigências mais rígidas sobre o lançamento de efluentes industriais e a destinação de lodos de ETE no setor têxtil. A tendência regulatória aponta para a inclusão do monitoramento e controle de microplásticos nos requisitos operacionais de plantas fabris.

Com informações de Circular Online.

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