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Licenciamento· 29 de julho de 2026· 2 min de leitura

Ibama tem mais de 45% das vagas ociosas e trava licenciamento

Estudo aponta que a reconstrução da política ambiental no governo federal esbarra no déficit crônico de servidores nos órgãos de execução.

Redação Giro Ambiental· atualizado em 04 de agosto de 2026
Ibama tem mais de 45% das vagas ociosas e trava licenciamento

A retomada de programas de proteção ambiental e a recomposição orçamentária do terceiro mandato do governo Lula esbarram em um obstáculo estrutural persistente: a escassez de servidores nos órgãos federais de controle e fiscalização. É o que aponta o estudo publicado na revista Opinião Pública, liderado pela pesquisadora Ana Karine Pereira, professora do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília (UnB).

O levantamento analisou 23 políticas e planos ambientais e climáticos recentes, destacando que, enquanto o orçamento do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima voltado às mudanças climáticas teve alta de 512% em 2023 na comparação com 2019, a força de trabalho não acompanhou esse ritmo. Em 2025, o ministério registrava 841 das 902 vagas ocupadas, mas a situação era crítica nas autarquias encarregadas de transformar as diretrizes políticas em atos concretos.

No Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), mais de 45% dos cargos previstos permaneciam desocupados no período analisado, enquanto no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) o déficit superava 38%. A Diretoria de Licenciamento Ambiental do Ibama ilustra o gargalo operacional ao gerir cerca de quatro mil projetos de infraestrutura complexa, como rodovias, ferrovias, hidrelétricas, portos e plataformas de petróleo, com uma equipe de apenas 290 profissionais.

A insuficiência de pessoal afeta diretamente frentes vitais como o combate a incêndios florestais, a proteção da fauna, o controle de emissões e a fiscalização de desmatamento em regiões remotas da Amazônia. Segundo a pesquisa, a dependência histórica de recursos externos, a exemplo do Fundo Amazônia, para a aquisição de veículos e equipamentos não supre a necessidade de memória institucional e de conhecimento técnico acumulado pelos servidores de carreira.

O estudo também mapeou o crescimento de contratos temporários durante a gestão passada e o início do atual governo, modalidade que começou a recuar em 2024. A greve dos servidores ambientais ocorrida em 2024 trouxe à tona reivindicações como reajuste salarial, criação de incentivos para fixação em áreas remotas e correção de distorções entre técnicos e analistas, itens frequentemente tratados como pautas corporativas, mas que impactam diretamente a capacidade administrativa.

Além do déficit interno, a burocracia ambiental enfrentou forte pressão política no Congresso Nacional entre janeiro de 2023 e junho de 2025, período que registrou 146 ações de fiscalização política dirigidas a autoridades da área, sendo quase 70% focadas na ministra Marina Silva. Para os autores do estudo, a consolidação da política ambiental exige superar o desfalque de pessoal e garantir investimento contínuo na força de trabalho para assegurar a continuidade técnica dos processos de licenciamento e fiscalização.

Com informações de ((o)) eco.

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