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Biodiversidade· 23 de julho de 2026· 2 min de leitura

Guatemala: Concessões Comunitárias Freiam Desmatamento na Reserva Maia

Doze concessões florestais na Guatemala, que somam 400 mil hectares, registram desmatamento quase zero, contrastando com a perda de 13% de cobertura florestal na Reserva da Biosfera Maia.

Redação Giro Ambiental
Guatemala: Concessões Comunitárias Freiam Desmatamento na Reserva Maia

Doze concessões florestais comunitárias na Reserva da Biosfera Maia (RBM), na Guatemala, têm sido fundamentais para conter o desmatamento na região, mantendo a cobertura florestal quase intacta em uma área de 400 mil hectares. Este modelo de gestão sustentável contrasta com a perda de aproximadamente 13% da floresta natural observada em toda a reserva ao longo de 24 anos, conforme dados do Conselho Nacional de Áreas Protegidas (Conap).

Estabelecida em 1990 e reconhecida pela Unesco, a RBM abrange 2,1 milhões de hectares na província de Petén, ao norte da Guatemala, e abriga a maior floresta natural da América Central. A reserva é dividida em três zonas: uma zona de amortecimento (23%), áreas de conservação e parques nacionais no núcleo (39%), e uma zona de uso múltiplo (38%), onde as comunidades podem obter sustento da floresta de forma sustentável.

As 12 concessões comunitárias, com contratos de 25 anos, estão localizadas na zona de uso múltiplo. Elas foram implementadas a partir de 1997, após o fim da guerra civil no país, e se tornaram um pilar para reverter décadas de desmatamento ilegal. A gestão dessas áreas é rigorosa, com monitoramento constante e aplicação de padrões como os do Forestry Stewardship Council (FSC), que permite a exportação da madeira.

Um exemplo é a cooperativa Carmelita, que maneja uma concessão de 43 mil hectares. Anualmente, são extraídas apenas duas árvores por mil hectares em regime de rotação. Engenheiros florestais detalham que a seleção das árvores é criteriosa, baseada em tamanho e abundância, e que a quantidade de árvores adultas a serem cortadas é definida pela presença de árvores jovens. Esse planejamento evita o corte aleatório e o desperdício observados em operações anteriores.

A comunidade de La Pasadita, por outro lado, teve seu contrato de concessão de 18 mil hectares suspenso pelo Conap em 2009 devido a extração ilegal. Nos últimos cinco anos, em parceria com a Rainforest Alliance, a comunidade desenvolveu um plano de produção restaurativa, incluindo um viveiro que já produziu mais de 120 mil mudas de 23 espécies diferentes. Esse esforço de reflorestamento em pastagens degradadas, monitorado por drones, resultou em um aumento líquido de 105 hectares na cobertura florestal, gerando empregos e renda.

Em Uaxactún, outra concessão de 83 mil hectares, o Conap registrou um aumento de 113 hectares na cobertura florestal. Além do manejo florestal rigoroso, a comunidade diversificou suas fontes de renda com produtos florestais não-madeireiros, como a palma xate, vendida para cerimônias religiosas nos EUA, gerando cerca de US$ 60 mil anuais. Iniciativas de turismo e capacitação em carpintaria também criam empregos, buscando fixar os jovens na região.

Os casos da Reserva da Biosfera Maia demonstram que o manejo florestal comunitário, quando vinculado a planos de gestão estritos, certificações reconhecidas e fiscalização ativa de órgãos como o Conap, pode ser uma estratégia eficaz para conciliar conservação e desenvolvimento econômico local. Este modelo oferece um caminho concreto para políticas públicas de restauração produtiva em outras regiões, mitigando o desmatamento e gerando benefícios sociais e ambientais duradouros.

Com informações de The Guardian: Environment.

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