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Biodiversidade· 31 de agosto de 2026· 2 min de leitura

Operação Mata Atlântica em Pé autua 8,3 mil hectares de desmatamento

Força-tarefa coordenada pelo Ministério Público em 17 estados aplicou cerca de R$ 100 milhões em multas após fiscalizar mais de 1.500 alertas de supressão florestal.

Por Rafael Barcelar· Editor, engenheiro (CREA-MG)
Operação Mata Atlântica em Pé autua 8,3 mil hectares de desmatamento

A Operação Mata Atlântica em Pé aplicou aproximadamente R$ 100 milhões em multas e autuou mais de 8,3 mil hectares de desmatamento ilegal em dez dias de fiscalização nos 17 estados que abrigam o bioma. Os resultados preliminares da força-tarefa foram divulgados nesta sexta-feira em Belo Horizonte, durante a abertura do seminário pelos 20 anos da Lei da Mata Atlântica. A ação foi coordenada pela Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente e pelo Ministério Público de Minas Gerais.

Fiscalização híbrida e tecnologia

Entre os dias 17 e 27 de agosto, as equipes fiscalizaram mais de 1.500 alertas gerados por imagens de satélite. O trabalho combinou checagens remotas e presenciais com o apoio de plataformas como o MapBiomas, além do uso de drones e ferramentas de georreferenciamento. Minas Gerais registrou as maiores áreas fiscalizadas do período, mantendo-se entre os estados com maior incidência de supressão florestal nos últimos anos.

Responsabilização e restrições legais

De acordo com o Ministério Público de Minas Gerais, cada autuação emitida passará por acompanhamento rigoroso para assegurar a reparação dos danos ambientais e a responsabilização judicial dos infratores. As áreas flagradas com desmatamento irregular ficam sujeitas a sanções severas, incluindo restrições no Cadastro Ambiental Rural e bloqueio no acesso a linhas de crédito agrícola.

Reflexo nos índices do bioma

A ofensiva fiscalizatória ocorre em um momento de retração na perda de cobertura vegetal. Dados do Atlas da Fundação SOS Mata Atlântica apontam queda de 28% na supressão florestal entre 2024 e 2025, índice que chega a 40% quando isoladas apenas as florestas maduras, remanescentes mais críticos para a preservação da biodiversidade. Atualmente, o bioma preserva cerca de 24% de sua cobertura original, sendo que as florestas maduras representam pouco mais da metade desse total, ou 12,4%.

Para os profissionais da área ambiental e consultores que atuam no setor, o rigor na fiscalização reforça a necessidade de conformidade estricta com o Cadastro Ambiental Rural e com as normas de supressão. O avanço do monitoramento remoto por satélites e drones elimina margens para intervenções não declaradas, exigindo maior precisão na gestão de passivos e no planejamento de atividades produtivas em áreas de abrangência da Mata Atlântica.

Com informações de ((o)) eco.

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