Cerrado tem queda de 19% no desmatamento e ganha áreas de recarga hídrica
Inpe registra redução nos alertas de supressão de vegetação no bioma, enquanto Ministério do Meio Ambiente publica portarias para conservação e recursos hídricos.
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais divulgou nesta sexta-feira que os alertas de desmatamento no Cerrado registraram uma queda de 18,9% no mês de agosto, na comparação com o mesmo período do ano passado. De acordo com os dados do sistema Deter, o bioma perdeu 238 quilômetros quadrados de vegetação nativa em agosto, frente aos 294 quilômetros quadrados contabilizados em igual mês de 2025. O resultado representa a segunda melhor marca da série histórica para o mês, iniciada em 2018, consolidando um trimestre de variação positiva no controle da supressão vegetal.
Portarias e gestão hídrica
Durante o evento de divulgação dos dados em São Paulo, o Ministério do Meio Ambiente assinou duas portarias voltadas para a conservação e a regulação ambiental. A primeira norma regulamenta as modalidades de pagamento por serviços ambientais, enquanto a segunda estabelece oficialmente as Áreas Prioritárias de Recarga Hídrica no Bioma Cerrado. O instrumento define regiões estratégicas para concentrar esforços de preservação e restauração, integrando a proteção da vegetação nativa com a segurança hídrica da região.
Especialistas apontam que a medida atualiza o modelo de gestão dos recursos hídricos ao reconhecer, pela primeira vez em escala de bioma, a importância das zonas de recarga para a manutenção dos mananciais, especialmente nos períodos de estiagem. Para apoiar a implementação das diretrizes, foi lançada uma plataforma de inteligência espacial destinada a gestores públicos, comitês de bacia e órgãos ambientais, permitindo cruzar dados científicos com o planejamento de investimentos e fiscalização.
Alerta na Amazônia
Enquanto o Cerrado manteve a trajetória de baixa nos alertas, a Amazônia apresentou um acréscimo de 12,1% na área desmatada em agosto, saltando de 319 quilômetros quadrados para 358 quilômetros quadrados no mesmo comparativo. O Ministério do Meio Ambiente atribuiu o avanço principalmente ao estado do Pará, onde houve interrupção temporária nas ações conjuntas de apoio policial aos órgãos de fiscalização ambiental. A pasta informou que articula uma reorganização imediata da atuação federal para conter o avanço nas áreas críticas.
Para os profissionais da área ambiental e gestores públicos, a movimentação regulatória exige atenção redobrada aos novos critérios de priorização de recarga hídrica e às exigências de monitoramento territorial. A consolidação das novas plataformas espaciais deve mudar a rotina de licenciamento e a alocação de recursos de compensação nos comitês de bacia da região.
Com informações de Agência Brasil: Meio Ambiente.
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