Grupos pedem que EPA rejeite novo PFAS para resfriar data centers
Coalizão de 17 entidades cobra da agência ambiental dos Estados Unidos a rejeição do composto químico Opteon 2P50, proposto pela Chemours para sistemas de resfriamento em data centers.

Uma coalizão formada por 17 organizações ambientalistas protocolou comentários formais junto à EPA (Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos) para exigir a rejeição do pedido de aprovação acelerada do composto químico Opteon 2P50. O produto, desenvolvido pela gigante química Chemours, foi desenhado para ser utilizado como gás refrigerante em sistemas de resfriamento de dois estágios em data centers, uma alternativa ao alto consumo hídrico dessas instalações.
A movimentação jurídica é liderada pela organização sem fins lucrativos Earthjustice, que acusa a Chemours de empregar falhas metodológicas e dados toxicológicos limitados para subestimar os riscos do produto à saúde humana e ao clima. Segundo os ambientalistas, a análise da empresa utilizou linhagens de ratos de laboratório menos sensíveis aos efeitos tóxicos dos chamados compostos eternos, além de desconsiderar parâmetros de segurança recomendados por agências internacionais.
A controvérsia envolve o uso de substâncias perfluoraquiladas e polifluoraquiladas, conhecidas como PFAS, que formam uma classe de cerca de 16 mil compostos sintéticos que não se degradam na natureza e se acumulam no organismo. O Opteon 2P50 é o primeiro produto a testar uma ordem executiva da gestão Donald Trump que determina tramitação prioritária para a avaliação de químicos voltados à infraestrutura de inteligência artificial e processamento de dados.
Representantes da Earthjustice alertam que o rito prioritário imposto pelo governo não exime a agência reguladora de cumprir as exigências legais de avaliação de risco toxicológico. Os grupos apontam que os limites ocupacionais de inalação citados pela Chemours foram desenvolvidos por um painel vinculado a grupos científicos financiados pela indústria, o qual teria ignorado diretrizes técnicas da própria EPA durante a análise.
Do outro lado, a Chemours defende que os sistemas de resfriamento de dois estágios operam em circuito fechado, o que impediria emissões diretas por chaminés e reduziria a taxas mínimas eventuais vazamentos fugitivos do gás refrigerante. A empresa declarou que as críticas das entidades ambientalistas generalizam as propriedades toxicológicas de compostos químicos que possuem estruturas moleculares distintas.
O debate também esbarra na divergência regulatória sobre a degradação do gás em trifluoracético, conhecido como TFA. Enquanto a EPA americana ainda não classifica o TFA sob o mesmo rigor dos PFAS tradicionais, a ECHA (Agência Europeia dos Produtos Químicos) classificou recentemente a substância como perigosa, apontando riscos de disfunção tireoidiana, redução na qualidade do esperma e toxicidade hepática.
Para o setor regulado e profissionais de licenciamento, o desfecho desse processo na EPA servirá como termômetro sobre a validade jurídica de ordens executivas que tentam flexibilizar o controle de substâncias perigosas sob o argumento de desenvolvimento tecnológico. Caso a aprovação seja concedida sem a devida revisão legal, o precedente poderá abrir caminho para o uso industrial em larga escala de novos compostos fluorados em refrigeração e outros segmentos produtivos.
Com informações de The Guardian: Environment.
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