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Biodiversidade· 24 de julho de 2026· 2 min de leitura

Gana: sobrepesca leva peixes-guitarra a colapso de 90%

Pesquisadores e ONGs alertam para a sobrepesca intensiva e a gestão falha que empurram essas espécies ao risco de extinção. Iniciativas locais buscam reverter o cenário com dados, conscientização e novas fontes de renda para comunidades pesqueiras.

Redação Giro Ambiental
Gana: sobrepesca leva peixes-guitarra a colapso de 90%

Populações de peixes-guitarra em Gana e na África Ocidental enfrentam um risco crítico de extinção local, com espécies sofrendo um colapso de até 90%. A sobrepesca intensiva e a governança pesqueira deficiente são as principais causas do declínio. Pesquisadores e organizações de conservação locais correm contra o tempo para coletar dados e buscar soluções.

Um estudo de 2022, liderado pelo biólogo marinho Issah Seidu, já alertava para a gravidade da situação. Mais da metade dos peixes-guitarra-comuns (Rhinobatos irvenei) desembarcados não havia atingido a maturidade sexual. Pescadores entrevistados para a pesquisa confirmaram quedas drásticas: até 90% nas capturas de espécies maiores, como o peixe-guitarra-boca-preta (Glaucostegus cemiculus) e o peixe-guitarra-comum (Rhinobatos rhinobatos). Espécies menores também registraram uma redução de 50%, sinalizando um esgotamento generalizado dos estoques.

A alta demanda impulsiona a pressão sobre os peixes-guitarra. Suas barbatanas brancas são muito lucrativas no mercado internacional, enquanto a carne é valorizada nos mercados locais. Pescadores migrantes utilizam redes de emalhar especializadas e métodos destrutivos, incluindo pesca com luzes e dinamite, além de redes com malha pequena. Os animais são capturados e vendidos a comerciantes que os exportam, principalmente, para mercados asiáticos.

Stephen Kankam, diretor adjunto da organização Hen Mpoano, aponta a governança pesqueira deficiente como a principal causa do colapso. Ele cita a limitação de dados de desembarque, a falta de um plano de manejo específico para os peixes-guitarra e espécies relacionadas, e a capacidade insuficiente de monitoramento e fiscalização. A sobrepesca de espécies-alvo tradicionais empurrou os pescadores a focar em elasmobrânquios, como os peixes-guitarra, como último recurso.

Diante do cenário alarmante, a AquaLife, ONG fundada por Issah Seidu, atua em cinco comunidades do distrito de Ahanta West, em Gana. A organização coleta dados sobre os locais de reprodução e agregação dos peixes-guitarra. Além disso, promove a conscientização sobre a ecologia dessas espécies e busca alternativas de subsistência para os pescadores, como a criação de caracóis e a produção de sabão orgânico por mulheres que atuam no comércio de peixe.

Em parceria com a Comissão de Pesca de Gana, a AquaLife educa os pescadores sobre melhores práticas e a importância da biodiversidade marinha. A conservação dos peixes-guitarra será integrada a iniciativas mais amplas de gestão pesqueira, como a Área Marinha Protegida de Cape Three Points. Esta é a primeira reserva marinha formalmente designada de Gana, declarada em abril de 2026, com mais de 700 quilômetros quadrados.

A situação dos peixes-guitarra em Gana é um alerta para profissionais da área ambiental. Ela sublinha a necessidade urgente de planos de manejo específicos e uma fiscalização robusta para a conservação da biodiversidade marinha. A falta de dados de desembarque e a governança pesqueira fraca representam desafios que exigem a atenção de órgãos reguladores e consultores ambientais. É crucial desenvolver e implementar estratégias que garantam a sustentabilidade dos recursos pesqueiros e a proteção de espécies ameaçadas, evitando colapsos populacionais com impactos socioeconômicos e ecológicos irreversíveis.

Com informações de Mongabay (EN).

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