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Biodiversidade· 22 de julho de 2026· 2 min de leitura

Estudo alerta para coextinção de até 5 moscas por morcego no Brasil

Pesquisa inédita analisou a alta dependência entre 182 espécies de morcegos e 106 de moscas ectoparasitas, revelando perdas silenciosas.

Redação Giro Ambiental
Estudo alerta para coextinção de até 5 moscas por morcego no Brasil

Um estudo recente publicado no periódico Animal Conservation aponta um risco significativo de coextinção no Brasil, onde a perda de uma espécie de morcego pode desencadear a extinção de até cinco espécies de moscas parasitas. A pesquisa, que analisou a relação altamente especializada entre morcegos hospedeiros e suas moscas ectoparasitas, sublinha como a extinção pode gerar um efeito cascata com graves consequências para os ecossistemas.

Os cientistas investigaram o risco de coextinção em 182 espécies de morcegos, das quais 66 são hospedeiras de parasitas, e 106 espécies de moscas ectoparasitas. Essas moscas são parasitas obrigatórias de morcegos, alimentando-se na superfície externa dos hospedeiros e incapazes de sobreviver sem eles, muitas vezes em uma relação espécie-específica ainda pouco compreendida.

A análise revelou que apenas um terço das espécies de morcegos teve suas moscas parasitas estudadas. Entre as espécies com dados disponíveis, 33% dos morcegos e 64% das moscas exibem relações espécie-específicas, indicando uma alta dependência mútua para a sobrevivência.

O cenário é agravado pelo fato de que muitas das espécies de morcegos hospedeiros já estão classificadas como “Em Perigo” ou “Vulnerável” ao risco de extinção. Contudo, suas moscas ectoparasitas permanecem invisibilizadas nas lentes e listas de conservação, sem o devido reconhecimento de seu status de ameaça.

Um dado alarmante é que 64 espécies de ectoparasitas apresentaram apenas um registro de interação com uma única espécie de morcego. Essa alta especialização as torna extremamente suscetíveis à extinção caso ocorram variações populacionais em seus hospedeiros, como destacado pelos autores do artigo.

Para profissionais da área ambiental, essa pesquisa ressalta a necessidade de abordagens mais abrangentes em avaliações de impacto e planos de conservação. A complexidade das interações ecológicas exige que o licenciamento e a fiscalização considerem não apenas as espécies-alvo, mas também as cadeias de dependência que podem levar a perdas secundárias e silenciosas da biodiversidade. A invisibilidade de espécies menores e menos carismáticas não deve significar sua exclusão das estratégias de proteção ambiental, pois seu desaparecimento pode ter um efeito dominó imprevisível no equilíbrio dos ecossistemas.

Com informações de ((o)) eco.

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