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Biodiversidade· 24 de agosto de 2026· 2 min de leitura

Ranavírus reduz em 83% população de pererecas na Mata Atlântica

Estudo comprova pela primeira vez na América do Sul a morte em massa de anfíbios por ranavirose, associada a períodos de baixa umidade.

Por Rafael Barcelar· Editor, engenheiro (CREA-MG)
Ranavírus reduz em 83% população de pererecas na Mata Atlântica

Pesquisadores brasileiros comprovaram pela primeira vez na América do Sul que surtos recorrentes de ranavirose provocaram uma queda de 83% na reprodução da perereca-macaco na Reserva Particular do Patrimônio Natural Santuário Rã-Bugio, no município de Guaramirim, em Santa Catarina. O estudo, publicado na revista Biodiversity and Conservation, aponta o patógeno como um risco severo e inédito de declínio para populações silvestres de anfíbios na Mata Atlântica, afetando também répteis e peixes.

O primeiro evento de mortandade na lagoa monitorada ocorreu em janeiro de 2024, seguido por novos episódios até março de 2026. No total, o levantamento encontrou 324 girinos mortos, sendo 315 da perereca-macaco e nove da perereca-de-pijama. Análises histológicas dos fígados e testes de carga viral confirmaram o quadro de infecção severa, com animais apresentando necrose em órgãos vitais, edemas, úlceras e hemorragias oculares.

Os dados estatísticos compilados pelos cientistas indicam que a baixa umidade do ar atua como um fator crítico para a proliferação do vírus. O risco de surto aumenta de forma abrupta quando a umidade cai de 90% para 65% nas duas semanas anteriores às mortandades. Com menos água nos corpos hídricos, os girinos ficam concentrados em áreas menores, o que acelera a transmissão do patógeno entre os indivíduos.

O monitoramento contínuo da lagoa, conduzido desde 1999 pelo Instituto Rã-Bugio, permitiu calcular a retração populacional ao comparar o número de massas de ovos registradas após os surtos com o histórico anterior. A carga viral encontrada nas pererecas-macaco chegou a quase dez bilhões de cópias por microlitro de amostra, demonstrando a alta agressividade do agente infeccioso na espécie endêmica.

O trabalho integra um projeto mais amplo apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo e conta com participação da Universidade Federal do Paraná e da Universidade Estadual de Campinas. Os pesquisadores agora planejam expandir a coleta de amostras para outras áreas do entorno e analisar espécimes em museus de zoologia para dimensionar o impacto histórico da ranavirose.

A confirmação do ranavírus na fauna silvestre acrescenta um novo fator de pressão sobre a conservação dos anfíbios na Mata Atlântica, que já enfrentam os danos causados pelo fungo quitrídio. Para os gestores de unidades de conservação e analistas ambientais, o monitoramento sanitário de corpos hídricos e a observação de variáveis climáticas locais passam a ser elementos indispensáveis na avaliação de risco para a biodiversidade regional.

Com informações de ((o)) eco.

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