Estudo em rodovias do MS aponta peso e risco de tombamento em atropelamento de fauna
Pesquisa do Projeto Bandeiras e Rodovias revela que manobras de caminhoneiros para evitar animais silvestres dependem do risco de acidentes e da física do veículo.

A decisão de caminhoneiros de manter a trajetória ao deparar com animais silvestres em rodovias está associada ao risco físico de manobras e à dinâmica de veículos de grande porte, e não à falta de empatia com a fauna. A conclusão integra um estudo publicado na revista científica Biological Conservation, conduzido com motoristas profissionais em três rodovias do Mato Grosso do Sul que cortam o Cerrado e o Pantanal. O trabalho faz parte das ações do Projeto Bandeiras e Rodovias, liderado pelo Instituto de Conservação de Animais Silvestres desde 2017.
A primeira etapa da investigação envolveu entrevistas qualitativas com 82 motoristas para mapear a percepção sobre colisões. A partir desse levantamento, os pesquisadores estruturaram cinco dimensões psicológicas fundamentais: atitudes em relação às espécies, reações ao atropelamento, emoções despertadas e riscos percebidos tanto ao tentar desviar quanto ao atingir o animal na pista.
Na segunda fase, um questionário foi aplicado a outros 117 caminhoneiros com simulações envolvendo serpentes, tatus e tamanduás-bandeira. Os dados mostraram que, embora as cobras gerem reações mais negativas e os tamanduás maior preocupação conservacionista, a maioria dos condutores avaliava como inviável qualquer tentativa de desvio seguro, independentemente da espécie.
O fator determinante para a conduta descrita pela expressão popular segura e vai foi o risco associado à frenagem brusca ou a manobras repentinas. Caminhões carregados com dezenas de toneladas exigem distâncias estendidas de parada, o que eleva a probabilidade de tombamento, perda de controle, saída de pista ou engavetamento com outros veículos.
Os autores do estudo apontam que campanhas educativas focadas unicamente na empatia dos motoristas têm alcance limitado. Atribuir a responsabilidade exclusiva aos condutores desconsidera que a ausência de infraestrutura adequada de proteção nas estradas transfere o risco para o fator humano, sem oferecer condições seguras de reação em tempo hábil.
Para o setor de planejamento viário e licenciamento ambiental, a recomendação técnica é redirecionar os investimentos para a prevenção estrutural de colisões. Isso inclui a implantação e a manutenção de cercas direcionadoras integradas a passagens de fauna, que barram o acesso dos animais à pista e reduzem a exposição ao atropelamento.
A reorientação metodológica proposta pelo estudo funde a conservação da biodiversidade com a segurança viária em uma agenda multissetorial unificada. Na prática, a mitigação passa a ser tratada como ferramenta para blindar motoristas e passageiros contra acidentes graves, reconhecendo os caminhoneiros como agentes fundamentais na formulação de soluções para as rodovias.
Com informações de ((o)) eco.
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