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Biodiversidade· 20 de agosto de 2026· 2 min de leitura

MPF aponta 134 mil cabeças de gado de áreas ilegais na Amazônia em 2023 e 2024

Novo ciclo de auditorias do Ministério Público Federal revela abate de gado associado a desmatamento e trabalho escravo em frigoríficos da Amazônia Legal.

Por Rafael Barcelar· Editor, engenheiro (CREA-MG)
MPF aponta 134 mil cabeças de gado de áreas ilegais na Amazônia em 2023 e 2024

O Ministério Público Federal divulgou os dados do mais recente ciclo de auditorias que avalia o cumprimento de termos de ajuste de conduta por frigoríficos instalados na Amazônia Legal. Entre os anos de 2023 e 2024, a fiscalização identificou que 134.630 animais criados em fazendas com irregularidades socioambientais, como desmatamento ilegal e indícios de trabalho análogo à escravidão, foram abatidos ou exportados por dezenas de unidades processadoras na região.

A investigação auditou as compras de frigoríficos em seis estados que compõem o bioma: Acre, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Tocantins. Os técnicos constataram que as inconformidades se distribuem por todas as unidades federativas analisadas, abrangendo grandes rebanhos nacionais como os mato-grossenses e paraenses, que superaram a margem de tolerância estabelecida pelo órgão ministerial.

A proporção aceitável estipulada pelo MPF é de até 4% de problemas identificados na amostra de fornecedores de cada frigorífico. Na média estadual, apenas o Tocantins permaneceu dentro deste patamar considerado tolerável. Por outro lado, em termos de unidades industriais, 32 plantas frigoríficas conseguiram se manter dentro do limite regulatório estabelecido pelo acordo setorial.

Este levantamento representa o terceiro ciclo unificado de auditorias conduzidas no âmbito do TAC da Carne, compromisso firmado entre o Ministério Público e o setor produtivo para estancar a entrada de gado oriundo de áreas embargadas ou desmatadas ilegalmente. A série histórica busca fechar o cerco contra a chamada lavagem de gado, prática em que animais criados em áreas irregulares são transferidos para fazendas limpas antes da venda final.

Para garantir maior precisão técnica na análise, esta edição contou com o apoio analítico da Universidade Federal de Minas Gerais. A instituição atuou na homogeneização das bases de dados fornecidas pelos governos estaduais, cujos sistemas de controle de rebanho e de regularidade ambiental operam de forma descentralizada e com diferentes níveis de transparência.

Representantes do MPF pontuaram que, apesar do volume expressivo de mais de 134 mil animais irregulares, o montante representa uma fração da cadeia pecuária fiscalizada, evidenciando avanços na rastreabilidade por parte das empresas que adotam os protocolos de controle. A auditoria detalhada serve de subsídio para novas autuações, exigências de correção de rotas e responsabilização na cadeia de suprimentos da carne bovina amazônica.

Com informações de ((o)) eco.

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