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Biodiversidade· 02 de outubro de 2026· 2 min de leitura

Amazônia registra 2.053 km² de desmatamento em 8 meses e fica 74% abaixo de 2022

Dados do Imazon mostram alta de 2% no acumulado de janeiro a agosto de 2026, mas índice se mantém como o segundo menor da série histórica para o período.

Por Rafael Barcelar· Editor, engenheiro (CREA-MG)
Amazônia registra 2.053 km² de desmatamento em 8 meses e fica 74% abaixo de 2022

A Amazônia Legal registrou 2.053 km² de floresta derrubada entre janeiro e agosto de 2026, conforme dados divulgados pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). O volume representa uma alta de 2% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior, mas fica 74% abaixo do pico da série histórica registrado em 2022, quando 7.943 km² foram destruídos. O monitoramento por imagens de satélite aponta que os estados do Pará, Mato Grosso e Amazonas concentraram 83% de toda a supressão de vegetação no período.

Somente no mês de agosto, a área suprimida chegou a 463 km², alta de 19% frente a agosto de 2025. Apesar da variação mensal, o índice permanece como o segundo menor dos últimos oito anos para o mês. Na série histórica geral monitorada desde 2008, o menor volume acumulado em oito meses havia ocorrido em 2012, com 714 km².

As terras indígenas da Amazônia concentraram apenas 32,25 km² de desmatamento nos oito primeiros meses de 2026, o equivalente a 1,6% da área total desmatada na região. Dos 391 territórios monitorados, 246 não registraram nenhuma supressão de vegetação no intervalo, o que representa 63% do total.

Outras 138 terras indígenas tiveram perdas inferiores a 1 km², enquanto apenas sete registraram desmatamento superior a 1 km². Para os pesquisadores do instituto, esses territórios demonstram maior efetividade na contenção de ilícitos ambientais e podem atingir o desmatamento zero antes do prazo geral estipulado pelo país.

Unidades de conservação e degradação

As unidades de conservação foram a segunda categoria territorial com menor impacto, somando 192,8 km² de derrubadas, ou 9% da região. O resultado, contudo, foi puxado para cima pelo desempenho da Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, no Pará, que sozinha contabilizou 75,19 km² destruídos, quase 40% do total de todas as 333 unidades monitoradas.

Paralelamente, a degradação florestal por fogo e extração de madeira registrou recuo de 72% de janeiro a agosto, passando de 2.744 km² em 2025 para 779 km² em 2026. A oscilação nos índices de fogo e danos parciais à vegetação reforça a dificuldade de controle das chamas na região.

Para profissionais da gestão ambiental e órgãos de fiscalização, a concentração de 83% do passivo em apenas três estados orienta a alocação de equipes de controle, priorizando o monitoramento rigoroso de áreas críticas como a APA Triunfo do Xingu e os eixos rodoviários do Pará e de Mato Grosso.

Com informações de Um Só Planeta.

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