Gana: político pega 20 anos por mineração ilegal e inundações
A Suprema Corte de Gana condenou um líder político a 20 anos de prisão por facilitar extração mineral sem licença, causando grave degradação ambiental e enchentes.

A Suprema Corte de Acra, em Gana, condenou Bernard Antwi Boasiako, presidente regional do partido de oposição New Patriotic Party (NPP), a 20 anos de prisão. A decisão, proferida em 20 de julho, puniu o político por facilitar a mineração ilegal sem licença na concessão de Samreboi, na Região Oeste do país, um caso que resultou em severa degradação ambiental e inundações.
A área de Samreboi está situada no Cinturão Florestal da Guiné Superior, uma região de floresta tropical. Embora grandes partes do terreno tenham sido convertidas em plantações de cacau, remanescentes florestais significativos, incluindo as reservas florestais de Tano Nimiri e Aboi, ainda existem na proximidade, tornando a proteção ambiental crítica.
Nos últimos anos, a região foi intensamente degradada pela mineração ilegal, conhecida localmente como “galamsey”. Esta atividade destruiu habitats de vida selvagem, terras agrícolas e alterou padrões de drenagem natural, deixando a paisagem marcada por crateras abandonadas.
Em junho, chuvas intensas levaram o rio Tano a transbordar, submergindo mais de 200 casas em Samreboi e comunidades vizinhas. O executivo-chefe da Câmara de Minas de Gana, Kenneth Ashigbey, confirmou que a mineração ilegal na concessão contribuiu para essas inundações incomuns, ecoando alegações feitas durante o julgamento.
Ashigbey também destacou os impactos da poluição da água, causada por dragas flutuantes e escavadeiras que depositam mercúrio, cianeto, arsênico e metais pesados nos corpos d'água. Ele mencionou consequências graves para a saúde, como natimortos e bebês com deformações, além da perda de subsistência para trabalhadores agrícolas e da madeira.
Awula Serwah, da ONG Eco Conscious Citizens, afirmou que a sentença servirá de impedimento a outros mineradores ilegais. Ela enfatizou a necessidade de aplicar as leis de mineração independentemente de filiações políticas, criticando a forma como a luta contra essas atividades tem sido politizada.
A condenação de Bernard Antwi Boasiako representa um precedente importante na fiscalização ambiental em Gana, sinalizando que a facilitação de atividades ilegais de mineração pode resultar em penas severas. Para profissionais da área ambiental, a decisão reforça a relevância da aplicação rigorosa das normas, que podem incluir não apenas multas e embargos, mas também sanções criminais com longos períodos de prisão para os responsáveis por danos ambientais de grande escala e seus impactos sociais.
Com informações de Mongabay (EN).
Leia também

Agência suspende licença de operador de resíduos por emissão de poeira
A Environment Agency embargou as atividades da Emmerson Transport em Portsmouth após fiscalização apontar pilhas de resíduos acima do limite e falhas no controle de material particulado.
Fonte: Circular Online

Gana: sobrepesca leva peixes-guitarra a colapso de 90%
Pesquisadores e ONGs alertam para a sobrepesca intensiva e a gestão falha que empurram essas espécies ao risco de extinção. Iniciativas locais buscam reverter o cenário com dados, conscientização e novas fontes de renda para comunidades pesqueiras.
Fonte: Mongabay (EN)

Amazônia: Desmatamento cai para 736 mil hectares em 2025, mas El Niño ameaça 2026
Relatório do Maap aponta redução na perda florestal, mas atividades ilegais persistem e a previsão é de agravamento das queimadas em 2026 sob influência do El Niño.
Fonte: Mongabay Brasil

STJ veta analogia de decreto para prescrição em autos ambientais estaduais
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) vedou a aplicação analógica de um decreto federal para reconhecer a prescrição intercorrente em processos administrativos ambientais estaduais e municipais, exigindo normatização local.
Fonte: Capital Reset
O Giro na sua caixa de entrada
As notícias que importam para quem é da área ambiental, uma vez por semana. Sem spam.