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Licenciamento· 29 de julho de 2026· 3 min de leitura

Expansão de mina de carvão no Canadá gera alerta por poluição e afeta os EUA

O projeto de ampliação da mina Fording River, na Colúmbia Britânica, passa por avaliação de impacto ambiental em meio a críticas sobre contaminação por selênio e nitrato com reflexos transfronteiriços.

Redação Giro Ambiental
Expansão de mina de carvão no Canadá gera alerta por poluição e afeta os EUA

O processo de licenciamento para a ampliação da mina Fording River Operations (FRO), localizada no sudeste da Colúmbia Britânica, no Canadá, enfrenta forte oposição de comunidades indígenas, organizações ambientalistas e autoridades dos Estados Unidos devido a riscos severos de poluição hídrica. O projeto Fording River Extension (FRX), operado pela Elk Valley Resources (EVR), prevê a abertura de 2.031 hectares na região de Castle Mountain para estender a exploração de carvão metalúrgico por cerca de 35 anos. A iniciativa tramita atualmente em um processo conjunto de avaliação de impacto ambiental federal e provincial, atraindo escrutínio internacional por causa do histórico de contaminação por selênio na bacia.

A região do Elk Valley abriga as quatro maiores minas de carvão do Canadá e responde por 77% da produção nacional do minério voltado para a siderurgia. Contudo, a principal operação atual da EVR tem esgotamento previsto para a próxima década, motivando o pleito de expansão econômica para sustentar empregos e arrecadação fiscal, que somou 330 milhões de dólares canadenses em pagamentos aos governos em 2024. O Conselho da Nação Ktunaxa e entidades civis argumentam que o avanço sobre novas áreas é inaceitável enquanto persistirem passivos ambientais não resolvidos e falhas de conformidade nas unidades já existentes.

O principal vetor de contaminação apontado por especialistas e órgãos tribais é a lixiviação de selênio e nitrato resultante do armazenamento de grandes volumes de rocha estéril gerada pela mineração a céu aberto. As águas afetadas drenam para os rios Fording e Elk, alcançando o reservatório Koocanusa e o rio Kootenay, que atravessa os estados americanos de Montana e Idaho antes de retornar ao território canadense. Estudos técnicos documentam concentrações de selênio de 10 a 100 vezes superiores aos níveis de cursos d'água não afetados, com transporte do contaminante a distâncias de até 575 quilômetros a jusante.

O mineral, embora essencial em doses mínimas, torna-se altamente tóxico em concentrações elevadas e causa deformidades, falhas reprodutivas em peixes e bioacumulação na cadeia alimentar. Representantes das tribos Confederated Salish and Kootenai relatam que a contaminação ameaça espécies protegidas como o esturjão branco e trutas nativas, além de inviabilizar a pesca de subsistência e o uso cultural dos recursos hídricos. Associações de pesca esportiva em Montana também apontam danos visíveis em exemplares de peixes e classificam a situação como um desastre em curso para a economia local baseada no turismo.

A empresa EVR defende que tem investido significativamente em tratamento de água em conformidade com o plano de qualidade instituído em 2014, afirmando que as plantas conseguem remover de 95% a 99% do selênio nas efluentes tratadas. Críticos e organizações como a Wildsight argumentam, no entanto, que os sistemas atuais capturam apenas uma fração da água superficial e são incapazes de conter a contaminação de águas subterrâneas ou mitigar os impactos sobre habitats sensíveis de ovelhas bighorn e ursos pardos na montanha.

Diante do cenário, organizações do Canadá e dos Estados Unidos protocolaram petições para que o governo canadense institua um painel de revisão independente para o processo de licenciamento, exigindo maior rigor e transparência transfronteiriça. A Agência de Avaliação de Impacto do Canadá e o escritório provincial sustentam que a avaliação em curso é rigorosa e baseada em evidências, com previsão de comitê consultivo técnico. O desfecho do processo definirá se a expansão mineira receberá aval para operar ou se o rigor regulatório freará a supressão de novas áreas diante do passivo ambiental acumulado.

Com informações de Mongabay (EN).

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