Como monitorar a qualidade da água de um rio ou lago
Monitorar um rio é coletar amostras em pontos e intervalos definidos e medir parâmetros que revelam poluição, comparando o resultado com a classe do corpo d'água.
Monitorar a qualidade de um rio é medir, de forma organizada e repetida, parâmetros que mostram se e como a água está sendo poluída. Não é coletar uma amostra solta e tirar conclusão. É definir onde coletar, com que frequência e o que medir, para depois comparar os resultados com o padrão da classe daquele corpo d'água e acompanhar a tendência.
Montar o plano de monitoramento
Antes da primeira coleta vem o plano. Ele define os pontos de amostragem, escolhidos para representar trechos que interessam, como acima e abaixo de um lançamento, na captação e na foz de um afluente. Coletar no lugar errado gera dado bonito e inútil. A localização precisa contar uma história, geralmente a de comparar antes e depois de uma fonte de poluição.
O plano também fixa a frequência. Rio muda com a chuva, com a estação e com a operação de quem lança nele, então uma única medição é um retrato, não um filme. Monitorar de verdade é repetir a coleta em intervalos definidos, para separar variação natural de tendência real.
O que medir e por quê
Os parâmetros escolhidos dependem do que se quer detectar. Oxigênio dissolvido e demanda bioquímica de oxigênio revelam poluição por matéria orgânica, típica de esgoto, porque ela consome o oxigênio da água. Coliformes indicam contaminação fecal. Turbidez e sólidos apontam assoreamento e carreamento de terra. Nutrientes como nitrogênio e fósforo sinalizam risco de proliferação de algas. Temperatura e pH completam o quadro básico.
A coleta em si é técnica. Frascos adequados, conservação correta da amostra, registro da hora e das condições e envio rápido ao laboratório fazem diferença no resultado. Amostra mal coletada ou mal conservada estraga a análise mais cara. Por isso a coleta segue procedimento e o laboratório deve ser acreditado, para o número ter valor legal e técnico.
Ler os resultados
Um resultado isolado diz pouco. Ele ganha sentido quando comparado com o padrão da classe em que o corpo d'água está enquadrado, que define os limites conforme os usos previstos para aquele rio. Onde esse enquadramento e esses limites estão fixados é na resolução ambiental vigente e nas definições do órgão gestor de recursos hídricos, que devem ser consultadas em vez de presumidas.
O maior valor do monitoramento aparece na série ao longo do tempo. Comparar as mesmas estações mês a mês e ano a ano mostra se o rio está melhorando, piorando ou estável, e liga a mudança a eventos concretos, uma obra, um novo lançamento, uma estação de tratamento que entrou em operação. É a repetição que transforma dado em diagnóstico.
Perguntas frequentes
Dá para avaliar um rio com uma coleta só?
Uma coleta mostra o momento, não a condição do rio. Como a qualidade varia com chuva, estação e lançamentos, uma amostra isolada pode enganar. Monitoramento sério repete a coleta em pontos e intervalos definidos.
Preciso de laboratório para tudo?
Alguns parâmetros, como temperatura, pH e oxigênio dissolvido, podem ser medidos em campo com sondas. Outros, como coliformes, metais e demanda de oxigênio, exigem laboratório. Para resultado com validade técnica e legal, o laboratório deve ser acreditado.
Como sei se o resultado está bom ou ruim?
Compare cada parâmetro com o padrão da classe em que o rio está enquadrado, definido pela norma ambiental vigente. Um mesmo valor pode ser aceitável para um rio de classe menos exigente e reprovado em outro de uso mais nobre.
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Fonte: Página 22
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