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Resíduos· 10 de agosto de 2026· 2 min de leitura

Empresas britânicas enviaram 52 mil toneladas de plástico para a Turquia

Investigação aponta que 13 companhias do Reino Unido exportaram resíduos plásticos para zona de reciclagem em Adana ligada a poluição hídrica.

Por Rafael Barcelar· Editor, engenheiro (CREA-MG)
Empresas britânicas enviaram 52 mil toneladas de plástico para a Turquia

Entre maio de 2021 e julho de 2024, treze empresas britânicas enviaram 545 remessas somando 52 mil toneladas de resíduos plásticos domésticos e de supermercados para a zona de reciclagem de Kemal Deniz, em Adana, no sul da Turquia. A constatação faz parte de uma análise de dados de importação e exportação realizada pela Environmental Investigation Agency (EIA) e divulgada neste mês. O fluxo coloca em evidência a responsabilidade regulatória sobre o comércio internacional de resíduos e os impactos na gestão ambiental de países receptores.

A região abriga operações de reciclagem criticadas por moradores locais e pesquisadores devido à poluição do ar e da água. Um levantamento conduzido por um pesquisador turco identificou altos níveis de microplásticos e detritos em um canal de irrigação adjacente ao polo industrial de Adana. A área abastece plantações locais, gerando preocupações sobre a contaminação agrícola e a segurança alimentar na bacia.

Biólogos locais apontam que diversas instalações de reciclagem na zona despejam efluentes não tratados diretamente nos canais usados para irrigação de lavouras. Em janeiro, o transbordamento e o alagamento de um desses canais destruíram sete hectares de plantações de berinjela na região, comprometendo a produção de agricultores locais que já convivem com a proximidade de fontes de emissão atmosférica e efluentes ácidos.

A legislação do Reino Unido estabelece que os exportadores de resíduos têm o dever regulatório de assegurar que o material enviado ao exterior seja reciclado de maneira ambientalmente sonora. Apesar disso, ativistas ambientais e entidades internacionais afirmam que o mecanismo atual falha em impedir que o descarte de embalagens britânicas impulsione operações poluidoras em territórios com menor rigor fiscal.

Enquanto o governo britânico sustenta que há controles rígidos sobre a exportação de resíduos e que as empresas devem garantir a destinação adequada, o cenário regulatório internacional passa por mudanças expressivas. A União Europeia determinou restrições severas ao envio de plástico para fora do bloco, impondo o banimento de exportações para países fora da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) a partir de novembro, além de controles mais rígidos para nações membros, categoria na qual a Turquia se enquadra.

Especialistas da EIA argumentam que o Reino Unido permanece atrasado em relação às novas exigências europeias no controle de materiais recicláveis. A cobrança sobre o governo britânico envolve a implementação de proibições diretas à exportação de resíduos plásticos, de modo a evitar que embalagens descartadas por cidadãos na Europa acabem gerando passivos ambientais em centros urbanos no exterior.

Com informações de The Guardian: Environment.

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