Desertificação avança no Brasil e atinge 1,51 milhão de quilômetros quadrados
Áreas afetadas cresceram 170 mil km² entre 2000 e 2020, enquanto o governo federal articula metas de recuperação de solo para a COP17.
O avanço da degradação de terras no Brasil colocou em risco de desertificação cerca de 1,51 milhão de quilômetros quadrados do território nacional, conforme dados consolidados divulgados por órgãos de pesquisa e monitoramento. Entre 2000 e 2020, a superfície afetada expandiu em 170 mil quilômetros quadrados, uma extensão equivalente à soma dos estados de Pernambuco, Paraíba e Alagoas. O fenômeno atinge diretamente 39 milhões de pessoas, abrangendo comunidades tradicionais, agricultores, povos indígenas, quilombolas e populações rurais em nove estados do Nordeste, além de porções de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul.
O boletim mais recente da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste aponta que 18% do país está inserido em Áreas Suscetíveis à Desertificação. O bioma Caatinga concentra os níveis mais severos de deterioração, com 11% de sua área em situação crítica e 42,6% de sua vegetação nativa já suprimida. Em 2023, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais identificaram a primeira região estritamente árida do país, compreendendo 6 mil quilômetros quadrados na divisa entre Pernambuco e Bahia.
Para conter o avanço do processo, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima lançou em março de 2026 o Plano de Ação Brasileiro de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca, estruturado para o período de 2025 a 2043. A estratégia integra políticas de recursos hídricos, assistência social e inovação tecnológica. Paralelamente, o Programa Recaatingar, lançado em junho, estabelece a meta de recuperar a capacidade produtiva de 10 milhões de hectares de terras degradadas na Caatinga ao longo dos próximos vinte anos.
Especialistas apontam que o solo do semiárido brasileiro atua como um sumidouro estratégico de carbono. Estudo publicado em 2025 na revista Science of the Total Environment indica que a Caatinga respondeu por cerca de 50% do sequestro líquido de carbono do Brasil em 2022. Cerca de 72% desse carbono permanece armazenado sob a terra, atingindo a marca de 125 toneladas por hectare. Pesquisadores do Instituto Nacional do Semiárido defendem que o Brasil deve pressionar para que o bioma seja citado explicitamente no texto de negociação da 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação.
A eficácia das medidas de contenção depende do uso de tecnologias sociais de convivência com o semiárido, como cisternas, barragens subterrâneas e sistemas agroflorestais. Dados de campo mostram que o manejo agrossilvipastoril adequado é capaz de quadruplicar a oferta de forragem sem suprimir o bioma remanescente. Para os profissionais que atuam em consultoria ambiental e licenciamento na região, o desafio consiste em alinhar a expansão produtiva rural aos planos de manejo e conservação do solo previstos nas novas normativas públicas.
Com informações de Agência Brasil: Meio Ambiente.
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