Corredor nos Rockies investe R$ 180 mi em passagens para fauna e reduz colisões
O projeto Reconnecting the Rockies aplica R$ 180 milhões em infraestrutura para conectar habitats e reduzir atropelamentos de animais em 80 km da Rodovia 3, no Canadá.

O projeto Reconnecting the Rockies está investindo R$ 180 milhões (50 milhões de dólares canadenses) na construção de passagens de fauna na Rodovia 3, na Colúmbia Britânica, Canadá, para mitigar os impactos da infraestrutura rodoviária sobre a vida selvagem. A iniciativa, que visa reduzir colisões de veículos com animais e reconectar habitats, já registra uma queda substancial nos atropelamentos em trechos cercados e a passagem de milhares de animais em estruturas construídas.
Esta ação faz parte de um esforço maior, a Yellowstone to Yukon Conservation Initiative (Y2Y), lançada em 1997, que busca criar um corredor ecológico contínuo de 3.400 quilômetros, conectando ecossistemas desde o Parque Nacional de Yellowstone, nos EUA, até o Território de Yukon, no Canadá. A fragmentação de habitats por rodovias, ferrovias e cidades é uma ameaça significativa à biodiversidade, isolando populações e impedindo o movimento necessário para alimentação, reprodução e sobrevivência, conforme alertado por uma revisão de 2025 na revista Science.
A necessidade de conectividade é crítica em pontos como a Rodovia 3, que atravessa as Montanhas Rochosas no sul da Colúmbia Britânica e Alberta. Este trecho de apenas 70 quilômetros de largura funciona como um afunilamento para a fauna, onde ocorrem mais de 300 colisões entre veículos e grandes mamíferos anualmente. Em Radium, na Colúmbia Britânica, a população de carneiros-selvagens (Ovis canadensis) diminuiu de 350 para 140 indivíduos em menos de 30 anos, com os atropelamentos sendo um fator decisivo para essa redução.
Para entender a dinâmica da fauna e os pontos críticos de colisão, pesquisadores como Clayton Lamb, da Universidade da Colúmbia Britânica, instalaram coleiras GPS em ursos-pardos (Ursus arctus horribilis), uapitis (Cervus canadensis) e veados-mula (Odocoileus hemionus), mapeando seus movimentos. Em 2004, o Miistakis Institute lançou um projeto de ciência cidadã, coletando dados de avistamentos e atropelamentos que, cruzados com informações governamentais, identificaram os "hotspots" de risco na rodovia.
Com base nesses dados, uma ampla coalizão lançou o projeto Reconnecting the Rockies em 2020. Envolvendo grupos de conservação, nações indígenas, o Ministério de Transporte e Trânsito da Colúmbia Britânica e parceiros da indústria como a Teck Coal (atual Elk Valley Resources), o projeto visa restaurar a conectividade em 80 quilômetros da Rodovia 3. As soluções de engenharia incluem a construção de passagens inferiores e superiores, pontes adaptadas e cercas direcionais para guiar os animais com segurança.
Embora o projeto esteja apenas 17% concluído, os resultados iniciais são promissores. Câmeras instaladas nas estruturas já documentaram milhares de passagens de uapitis, veados, ursos-pardos e ursos-negros. Em alguns trechos cercados, as colisões veiculares com a fauna foram completamente eliminadas. Os custos de construção para o lado da Colúmbia Britânica, entre 2020 e 2030, estão estimados em R$ 180 milhões (50 milhões de dólares canadenses) para cercas, adaptação de pontes e a construção de uma passagem superior e duas inferiores.
A experiência do corredor Yellowstone to Yukon e do projeto Reconnecting the Rockies oferece lições valiosas para o licenciamento e a gestão ambiental de grandes infraestruturas no Brasil. A integração de dados científicos detalhados sobre o comportamento da fauna, o engajamento de múltiplos atores (incluindo comunidades locais e povos indígenas) e o investimento em soluções de engenharia robustas são cruciais para assegurar a conectividade ecológica. Profissionais da área ambiental, consultores e órgãos licenciadores devem observar a importância de condicionantes que exijam monitoramento contínuo e a implementação de medidas de mitigação eficazes, como as passagens de fauna, para garantir a viabilidade de projetos e a proteção da biodiversidade em longo prazo.
Com informações de Mongabay (EN).
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