Bacia do Pajeú enfrenta déficit de saneamento e ameaças ao Marco Legal
Maior bacia de Pernambuco sofre com esgoto sem tratamento, ETE atrasada e desafios para atingir as metas de universalização do saneamento.

A bacia hidrográfica do rio Pajeú, maior extensão fluvial de Pernambuco com 353 quilômetros e 27 municípios abrangidos, convive com cenários contrastantes de qualidade hídrica e graves gargalos de saneamento básico. Enquanto trechos a montante em Floresta mantêm surpreendente preservação ambiental e água limpa com apoio de vazões perenes da barragem de Serrinha, a realidade se altera drasticamente após cruzar a área urbana dos municípios, onde a poluição e a precariedade dos serviços comprometem os recursos hídricos.
O panorama de esgotamento sanitário na bacia é marcado por grande disparidade e escassez de dados oficiais. Segundo levantamentos do setor, os índices de atendimento variam de 10,7% em Itapetim até 78% em Serra Talhada, embora associações locais contestem a precisão dos números declarados. Além disso, 12 dos 27 municípios da bacia sequer possuem informações registradas no Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (Sinisa).
A infraestrutura de saneamento também acumula atrasos históricos na região. A Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Floresta, executada pela Codevasf com recursos federais iniciados em 2008, só foi concluída em 2024 ao custo de R$ 21,4 milhões para atender 70% da cidade, enfrentando um longo período de paralisação que comprometeu parte da estrutura antes mesmo da entrada em operação.
Para tentar reverter o quadro, a prefeitura de Floresta recebeu em junho de 2026 um repasse de R$ 4,6 milhões, montante vinculado às movimentações estaduais de desestatização e concessão dos serviços de água e esgoto. No âmbito estadual, o governo de Pernambuco formalizou em abril de 2026 contratos de concessão parcial que mobilizam cerca de R$ 20 bilhões em investimentos e R$ 4 bilhões em outorga total, estruturados a partir da divisão do estado em microrregiões de saneamento.
As novas diretrizes estaduais e federais decorrem das exigências da Lei nº 14.026/2020, o novo Marco Legal do Saneamento, que alterou a Lei nº 11.445/2007 e fixou a meta de universalização para alcançar 99% de atendimento de água potável e 90% de esgotamento sanitário até 2033. No entanto, a bacia do Pajeú segue pressionada por passivos ambientais, como o desmatamento de matas ciliares, a agropecuária nas margens e a falta de tratamento adequado de dejetos que desaguam no Lago de Itaparica e no rio São Francisco.
Do ponto de vista normativo e técnico, os gestores municipais e os operadores de saneamento na região enfrentam o desafio de cumprir os cronogramas de universalização em cidades de pequeno porte, onde a maior parte da população vive em municípios com menos de 50 mil habitantes. A capacidade de investimento e a operação efetiva das ETEs serão determinantes para evitar impactos negativos na qualidade da água do trecho de captação do Eixo Leste da transposição do rio São Francisco e garantir a conformidade com as exigências legais vigentes.
Com informações de Instituto Água e Saneamento.
Leia também

Concessionárias do Reino Unido faturam £ 340 mi com esgoto fabril
Uma base com 26 mil autorizações revelou que operadoras britânicas receberam 608 bilhões de litros de efluentes industriais em estações que não removem químicos complexos.
Fonte: The Guardian: Environment

South West Water leva multa recorde de £ 7,8 bi por despejo de esgoto
Empresa de saneamento britânica é condenada em tribunal por centenas de despejos ilegais de esgoto em áreas de preservação na Cornualha e em Devon.
Fonte: The Guardian: Environment

Licenciamento de data centers enfrenta barreiras e exigências no país
Crescimento de grandes centros de dados desafia órgãos ambientais com alta demanda de energia, água e emissões atmosféricas em vários estados.
Fonte: ((o)) eco

Corsan capta R$ 700 mi via Eco Invest para saneamento e clima
Debêntures de dez anos captadas pela Corsan, controlada pela Aegea, vão financiar R$ 515 milhões em infraestrutura e adaptação climática e R$ 214,6 milhões em universalização.
Fonte: Capital Reset
O Giro na sua caixa de entrada
As notícias que importam para quem é da área ambiental, uma vez por semana. Sem spam.