Como desinfetar a água para beber com segurança
Quando há dúvida sobre a água de beber, fervura e cloração eliminam microrganismos, desde que feitas na proporção e no tempo corretos.
Quando não há certeza de que a água é segura, em uma enchente, uma falta prolongada de abastecimento ou uma fonte sem controle, dá para desinfetá-la em casa por dois métodos confiáveis, a fervura e a cloração. Os dois eliminam bactérias, vírus e outros microrganismos que causam doença. O que eles não fazem é remover contaminação química, e essa diferença precisa ficar clara antes de tudo.
Fervura, o método mais simples
Ferver é o jeito mais seguro e acessível de desinfetar água quando se tem como aquecer. O calor mata os microrganismos patogênicos. A orientação usual da vigilância sanitária é levar a água à fervura e mantê-la fervendo por cerca de um minuto após começar a borbulhar, e por um tempo um pouco maior em altitudes elevadas, onde a água ferve a temperatura mais baixa.
Depois de ferver, deixe a água esfriar tampada e guarde em recipiente limpo e fechado. A fervura pode deixar a água com gosto chapado, porque expulsa o ar dissolvido, e passar a água de um recipiente para outro ajuda a recuperar o sabor. Feita assim, a água fervida está segura do ponto de vista microbiológico.
Cloração em casa
Quando não dá para ferver, a cloração resolve. Ela usa um produto próprio para tratamento de água, o hipoclorito de sódio na concentração adequada, e não qualquer água sanitária perfumada ou com aditivos, que não serve. A proporção de gotas por litro e o tempo de espera antes de beber vêm indicados no rótulo do produto e nas orientações da vigilância sanitária, e devem ser seguidos à risca, porque cloro de menos não desinfeta e cloro demais deixa a água imprópria.
O passo prático é medir a água, adicionar a dose indicada, misturar bem e aguardar o tempo de contato recomendado antes de consumir. Um leve cheiro de cloro ao fim é sinal de que houve dose residual, o que é esperado. Como as concentrações dos produtos variam, siga sempre a instrução daquele produto específico, não uma regra decorada.
O que a desinfecção não faz
Desinfetar não é purificar tudo. Fervura e cloração matam microrganismos, mas não removem metais, agrotóxicos, nitrato nem outros contaminantes químicos dissolvidos. Aliás, ferver água contaminada por certos químicos pode concentrá-los, porque parte da água evapora e o contaminante fica. Se a suspeita é de contaminação química, e não microbiológica, desinfetar não resolve, e a saída é outra fonte de água ou um tratamento específico.
A turbidez também atrapalha. Água barrenta protege os microrganismos e consome o cloro, então antes de desinfetar convém deixar a água decantar e passar por um pano limpo ou filtro para clarear. Desinfecção é medida de contingência e de fonte sob dúvida. Onde há abastecimento público tratado e regular, a água já chega desinfetada, e o cuidado se concentra na limpeza da caixa d'água e da tubulação interna.
Perguntas frequentes
Fervura ou cloro, qual é melhor?
Os dois desinfetam bem contra microrganismos. A fervura é mais simples quando há como aquecer e não deixa resíduo químico. A cloração é prática para volumes maiores e mantém um residual protetor, mas exige o produto certo na dose correta. A escolha depende do que se tem à mão.
Água sanitária comum serve para tratar água de beber?
Só serve o produto próprio para tratamento de água, com hipoclorito de sódio na concentração adequada e sem perfume ou aditivos. Água sanitária de limpeza com fragrância ou outros compostos não deve ser usada para desinfetar água de consumo.
Ferver resolve água com gosto ou cheiro estranho?
Nem sempre. Se o gosto vem de microrganismos, a fervura ajuda. Se vem de contaminação química, ferver pode até concentrar o problema. Cheiro ou sabor persistente e sem explicação pede análise da água antes de confiar em qualquer método caseiro.
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