Gestão de Demanda Noturna em SP completa um ano com 183 bi de litros
Medida da Arsesp reduziu a pressão da água à noite na Região Metropolitana de São Paulo e segue como principal eixo de economia hídrica.

A Gestão de Demanda Noturna completou um ano de vigência na Região Metropolitana de São Paulo como a principal ferramenta regulatória de contenção do consumo. O mecanismo, decretado pela Arsesp em agosto de 2025 devido aos baixos níveis dos reservatórios comparáveis ao período crítico de 2014 e 2015, consiste na redução controlada da pressão da água nas redes de distribuição durante o período noturno para mitigar vazamentos e preservar os mananciais.
Impacto operacional e bairros afetados
No primeiro mês de vigência, o período de restrição passou de oito horas, das 21h às 5h, para dez horas diárias, das 19h às 5h. O restabelecimento da faixa de oito horas ocorreu apenas no final de julho deste ano, após a Sabesp registrar uma economia acumulada de cerca de 183 bilhões de litros de água graças à diminuição da pressão na rede.
Apesar da eficiência na redução de perdas físicas, a operação afeta de maneira desigual a população. Dados do Plano Municipal de Saneamento Integrado mostram maior criticidade de intermitência em áreas altas, periferias e imóveis desprovidos de reservatório domiciliar, com registros recorrentes de desabastecimento em distritos como Parelheiros e Capela do Socorro na zona sul, São Mateus e Itaquera na zona leste, além de Perus e Brasilândia na zona norte.
Nova metodologia e risco de ampliação
A redução da restrição noturna para oito horas foi permitida por uma nova metodologia de acompanhamento do Sistema Integrado Metropolitano, desenvolvida em conjunto pelo Comitê de Integração das Agências para a Segurança Hídrica, integrando Arsesp e SP Águas. O modelo passou a incorporar o volume e a previsão hidrológica específica do Sistema Cantareira.
Em julho, a operação do sistema metropolitano foi enquadrada na Faixa 2 conforme a nova diretriz, mesmo com o Sistema Cantareira encerrando o mês com 36,7 por cento de volume útil, uma retração de 3,2 pontos percentuais frente a junho, combinada com um volume de chuvas 70 por cento abaixo da média histórica.
A continuidade da medida de economia depende diretamente do comportamento hidrológico dos próximos meses, influenciado pela imprevisibilidade climática do fenômeno El Niño. A regulação atual estabelece que, se o volume útil do Sistema Cantareira fechar o mês de agosto abaixo de 30,5 por cento, a Arsesp poderá determinar novamente a ampliação da Gestão de Demanda Noturna para dez horas diárias.
Com informações de Instituto Água e Saneamento.
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