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Biodiversidade· 02 de setembro de 2026· 2 min de leitura

ZEG investe R$ 20 mi para evitar desmatamento em Roraima

Projeto de conservação em Caracaraí substitui supressão legal de vegetação por créditos de carbono em área de 14 mil hectares.

Por Rafael Barcelar· Editor, engenheiro (CREA-MG)
ZEG investe R$ 20 mi para evitar desmatamento em Roraima

Uma área de 14 mil hectares de floresta amazônica em Caracaraí, no estado de Roraima, teve a supressão legal de vegetação evitada por meio de um projeto de conservação privado que aposta na comercialização de créditos de carbono. A iniciativa, conduzida pela empresa paulista ZEG (Zero Emission Goal), recebeu aportes de R$ 20 milhões para estruturar o monitoramento tecnológico e programas socioambientais voltados às comunidades locais de extrativistas.

O passivo potencial surgiu quando o proprietário rural, produtor de soja em Goiás, adquiriu a área após a redução da reserva legal no estado. Com a conclusão do zoneamento ecológico-econômico de Roraima em 2022, o Código Florestal (Lei 12.651/2012) permitiu a diminuição da reserva legal de 80% para 50% em propriedades privadas do bioma amazônico na região, o que dava direito ao desmate para o cultivo agrícola.

Para reverter o pedido de supressão, a empresa firmou um contrato de cessão de direito real de superfície por 40 anos, prazo estipulado para a comercialização dos estoques de carbono. Antes disso, o processo exigiu a remontagem da cadeia dominial do imóvel para garantir a segurança jurídica da posse e afastar riscos sobre a titularidade da terra.

O modelo operacional incluiu a instalação de uma torre de 60 metros equipada com câmera e inteligência artificial para detecção precoce de focos de incêndio, cobrindo o perímetro em ciclos de três minutos. A infraestrutura de prevenção conta com uma brigada interna de 20 pessoas e treinamento estendido a assentamentos vizinhos para mitigar o principal vetor de degradação da floresta.

Impacto socioambiental e certificação

O projeto garantiu a manutenção das atividades de 36 famílias de extrativistas de castanha-do-Pará nos arredores, que criaram a Associação Agroextrativista do Município de Caracaraí para centralizar a produção e eliminar intermediários na comercialização da safra.

Os estoques de crédito de carbono gerados na área forestal passam por auditorias internacionais da Verra e da Earthwood, além de avaliação de qualidade. A iniciativa obteve classificação AA pela agência BeZero, marca inédita para projetos de desmatamento evitado na Amazônia.

Com informações de Agência Brasil: Meio Ambiente.

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