Rio de Janeiro ganha centro de referência em restauração da Mata Atlântica e manejo de pastagem
A Associação Mico-Leão-Dourado (AMLD) inaugurou o CERRE em Silva Jardim. O espaço focará em pesquisa, capacitação e engajamento social para recuperar áreas degradadas e promover sistemas agroflorestais.

A Associação Mico-Leão-Dourado (AMLD) inaugurou na última semana, em Silva Jardim, no Rio de Janeiro, o Centro de Referência em Restauração Ecológica (CERRE). O objetivo é consolidar um polo de pesquisa, capacitação e engajamento social dedicado à recuperação da Mata Atlântica. A iniciativa busca enfrentar o desmatamento histórico e a fragmentação florestal, desafios cruciais para a conservação de espécies como o mico-leão-dourado.
Instalado ao lado do Parque Ecológico Mico-Leão-Dourado, o CERRE funcionará em uma propriedade rural degradada de 130 hectares, a Fazenda Perdida. Adquirida pela AMLD, a fazenda já é uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), servindo como laboratório a céu aberto para estudos práticos e proteção ambiental.
A AMLD já recuperou mais de 450 hectares de vegetação nativa ao longo de sua história. Com o novo centro, a associação pretende ampliar essa experiência, difundindo práticas eficientes de restauração que possam ser replicadas para além dos limites do habitat do mico-leão-dourado.
O centro nasce de uma vasta parceria com instituições de pesquisa e universidades. Entre elas, estão a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), a Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) e a PUC Rio, além do Programa de Pesquisa Ecológica de Longa Duração (PELD Rede). Para Jerônimo Sansevero, professor da UFRRJ e coordenador do PELD Rede, o CERRE representa um marco. Ele permitirá estudos de longo prazo e consolidará décadas de pesquisa em botânica, geologia e ecologia.
Carlos Alvarenga, engenheiro florestal e coordenador de Restauração da AMLD, detalhou a missão do centro: treinar estudantes e profissionais. O CERRE oferecerá oficinas, workshops e cursos sobre melhores práticas de manejo do solo e sistemas agroecológicos, incluindo os Sistemas Agroflorestais (SAFs). A ideia é mostrar que a restauração ambiental pode gerar renda e fortalecer a cadeia produtiva regional.
Junto à inauguração do CERRE, a AMLD abriu uma Unidade Demonstrativa de Manejo de Pastagem no Sítio Aldeia Velha, propriedade parceira. Ali, serão aplicadas técnicas avançadas para otimizar o manejo de pastagens, buscando o aumento da produção de forma integrada à proteção e recuperação dos recursos naturais. O modelo poderá ser replicado em outras propriedades da região.
Para engenheiros ambientais, consultores e gestores, o CERRE se consolida como um polo essencial de conhecimento e capacitação em restauração ecológica e manejo sustentável. O centro oferece a oportunidade de aprofundar a compreensão sobre a recuperação de áreas degradadas, a implementação de SAFs e o manejo de RPPNs. Ele fornece ferramentas práticas e dados de longo prazo, cruciais para o desenvolvimento de projetos ambientais e a conformidade regulatória no bioma Mata Atlântica.
Com informações de ((o)) eco.
Leia também
Lista da flora ameaçada sobe para 3.730 espécies; pau-brasil vai a CR
Nova lista oficial da flora ameaçada, publicada no Diário Oficial da União, inclui 595 espécies novas e retira 74; o pau-brasil passou de Em Perigo para Criticamente em Perigo.
Fonte: ((o)) eco
Fragmentos de vegetação nativa caem 43% em 38 anos, mostra MapBiomas
Dados do módulo de Degradação do MapBiomas mostram menos área fragmentada, mas em mais pedaços cada vez menores, sobretudo na Mata Atlântica.
Fonte: Agência Brasil: Meio Ambiente

Fragmentos de vegetação nativa sobem de 2,35 mi para 3,41 mi
Entre 1986 e 2024, o Brasil ganhou mais fragmentos de vegetação nativa, e cada um ficou menor. O MapBiomas aponta a perda de conectividade como problema, e o Rio criou um programa de corredores ecológicos.
Fonte: ((o)) eco

STF paralisa julgamento sobre Parque Estadual da Serra do Tabuleiro
Com placar empatado em 5 a 5, corte suprema aguarda nova nomeação para definir o futuro da lei catarinense que alterou os limites da unidade de conservação.
Fonte: ((o)) eco
O Giro na sua caixa de entrada
As notícias que importam para quem é da área ambiental, uma vez por semana. Sem spam.