Giro AmbientalNewsletter
Biodiversidade· 14 de setembro de 2026· 2 min de leitura

Pará prorroga rastreabilidade bovina até 2030 após atingir 2%

Cronograma estendido exige que cada agente credenciado identifique dezenas de cabeças de gado por dia útil para cumprir a meta estadual.

Por Rafael Barcelar· Editor, engenheiro (CREA-MG)
Pará prorroga rastreabilidade bovina até 2030 após atingir 2%

O governo do Pará prorrogou até 31 de dezembro de 2030 o prazo para a implantação total do Programa de Integridade e Desenvolvimento da Cadeia Produtiva da Pecuária de Bovídeos Paraenses. Coordenada pela Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará), a iniciativa busca universalizar a identificação individual do rebanho bovino e bubalino no estado. Contudo, desde o lançamento da política, apenas 423.659 animais receberam os brincos eletrônicos, o equivalente a menos de 2% do volume total estimado em 25,6 milhões de cabeças.

Para alcançar a universalização até o novo prazo, a rede estadual enfrenta um desafio operacional expressivo. Atualmente, o programa conta com 403 agentes de identificação em atuação, conhecidos como Operadores de Rastreabilidade (OPRs). Considerando o universo total de animais, cada profissional precisaria registrar em média 64 cabeças por dia útil ao longo dos próximos quatro anos, o que representa cerca de 320 animais por semana em uma jornada típica de trabalho.

O volume de trabalho dos operadores pode variar conforme a interpretação definitiva da norma estadual. O decreto de prorrogação determina a identificação individual no estado, mas deixa margem de dúvida sobre a abrangência da meta: se o objetivo alcançará todo o rebanho fixo ou apenas os animais que entram em trânsito para reprodução, engorda ou abate. Dados públicos de 2025 mostram que cerca de 20,2 milhões de bovinos e bubalinos foram movimentados no período.

Caso a exigência recaia estritamente sobre os animais transportados, a média diária por operador cairia para cerca de 50 cabeças por dia útil. A Adepará informou que estuda a publicação de uma nova portaria para detalhar a metodologia e os critérios operacionais adotados até o encerramento do prazo, documento que sofre atrasos após previsão inicial de lançamento para o mês de agosto.

Flexibilidade na operação

Apesar da alta demanda por operadores credenciados, o conselho gestor do Programa Pecuária Sustentável do Pará esclarece que a contratação de terceiros não é obrigatória. O próprio produtor rural, vaqueiros ou funcionários da propriedade podem se habilitar como operadores de rastreabilidade para realizar o brinqueamento e alimentar o sistema oficial, servindo os agentes terceirizados como uma alternativa de mercado.

A Adepará mantém um quadro total de 1.028 colaboradores, sendo 756 servidores efetivos, cuja atuação abrange toda a defesa sanitária animal e vegetal do estado, sem exclusividade no programa de rastreabilidade. Com o cronograma estendido, o órgão aposta na capacitação contínua de novos profissionais para tentar desafogar a média diária de registros exigida da rede credenciada.

Com informações de ((o)) eco.

Compartilhar:WhatsAppXLinkedIn

Leia também

Mais lidas

  1. 1O que é potencial poluidor e como ele define o porte do licenciamento
  2. 2Como medir ruído ambiental conforme a NBR 10151
  3. 3Poço artesiano precisa de outorga e de licença ambiental
  4. 4Totens de segurança em BH: projeto define regras para o uso do espaço público
  5. 5Serra Verde tem licença corretiva e multa após Ibama apontar danos em mina

O Giro na sua caixa de entrada

As notícias que importam para quem é da área ambiental, uma vez por semana. Sem spam.