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Biodiversidade· 10 de setembro de 2026· 2 min de leitura

EUA gastam US$ 11 bi em lobby contra lei antidesmatamento da UE

Associaçoes industriais americanas e canadenses pressionam Bruxelas por exceçoes e atrasos no regulamento de desmatamento da UE.

Por Rafael Barcelar· Editor, engenheiro (CREA-MG)
EUA gastam US$ 11 bi em lobby contra lei antidesmatamento da UE

O setor de papel e celulose dos Estados Unidos investiu quase US$ 11 milhoes em açoes de lobby desde 2023 para tentar enfraquecer o Regulamento de Desmatamento da Uniao Europeia (EUDR). A mobilizaçao envolveu a American Forest & Paper Association (AF&PA), que representa gigantes como Procter & Gamble e International Paper, com articulaçoes diretas junto ao Congresso americano, ao Departamento de Agricultura e ao Escritorio do Representante de Comercio dos Estados Unidos. So em 2025, o grupo exportou US$ 879,7 milhoes em produtos florestais para o mercado europeu e defendeu a criaçao de uma categoria de risco zero com exigencias de due diligence abrandadas.

A pressao politica escalou com o apoio de parlamentares e embaixadores. Senadores como John Boozman e Tom Cotton, alem do deputado Austin Scott, cobraram intervençoes do governo americano e enviaram cartas a comissarios europeus alertando sobre riscos na relaçao comercial caso as regras nao fossem flexibilizadas. Embaixadores dos EUA na UE tambem criticaram publicamente as exigencias de geolocalizaçao e rastreabilidade, argumentando que os produtores norte-americanos nao contribuem para o desmatamento.

A resistencia internacional decorre da amplitude da norma europeia, que entra em vigor em dezembro e proibe a comercializaçao de madeira, papel e celulose associados nao apenas ao desmatamento, mas tambem a degradaçao florestal a partir de 31 de dezembro de 2020. Ao contrario de legislaçoes anteriores como o EUTR de 2013, o EUDR inclui mudanças estruturais e a conversao de florestas nativas em plantios comerciais, o que amplia o escopo de fiscalizaçoes sobre praticas norte-americanas e canadenses.

Entidades do setor, incluindo a Forest Products Association of Canada (FPAC), argumentam que o historico de manejo florestal sustentavel na America do Norte justifica uma isençao das regras. A estrategia conta com o apoio de associaçoes da Australia, Japao e Nova Zelandia, que assinaram declaraçoes conjuntas para solicitar menor supervisao em paises considerados de baixo risco de desmatamento.

Por outro lado, ambientalistas apontam que o conceito de manejo sustentavel prioriza a estabilidade economica em detrimento da integridade ecologica. Estudos citados por organizaçoes de conservaçao indicam que o corte raso em rotas curtas e a substituiçao de florestas boreais antigas por monoculturas reduzem a capacidade de absorçao de carbono e comprometem a biodiversidade, gerando o passivo ambiental que a nova regulamentaçao europeia busca barrar.

Com informações de Mongabay (EN).

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