Filhote de harpia monitorado por GPS na Bahia revela dados de dispersão
Pesquisadores instalaram dispositivo de telemetria em um macho jovem de 4 a 5 meses na RPPN Estação Veracel, em Porto Seguro, para entender seus deslocamentos e a conectividade florestal.

Pesquisadores do Projeto Harpia Mata Atlântica, liderados pelo Dr. Áureo Banhos da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), capturaram e equiparam um filhote de harpia com um dispositivo GPS na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Estação Veracel, em Porto Seguro, Bahia. O objetivo é monitorar os deslocamentos do jovem macho, o primeiro dessa faixa etária a ser rastreado por telemetria na Mata Atlântica, para coletar dados cruciais sobre a dispersão da espécie em ambientes fragmentados e subsidiar estratégias de conservação.
A expedição de sete dias buscou obter informações que podem reescrever a história da harpia na região, onde a espécie é considerada extinta em algumas áreas. A RPPN Estação Veracel, com mais de 6 mil hectares de floresta, é um refúgio vital e abriga pelo menos outros três ninhos conhecidos de harpias, além de outras espécies como anta e onça-pintada.
O sul da Bahia concentra os principais refúgios com reprodução confirmada de harpia no bioma. Segundo o Dr. Banhos, a população é pequena e distribuída em áreas protegidas e remanescentes florestais, como os Parques Nacionais do Pau-Brasil, Monte Pascoal, Descobrimento e Serra das Lontras, e a Reserva Biológica de Una. Os desafios incluem a perda e fragmentação florestal, o isolamento entre áreas e a baixa oferta de árvores de grande porte para ninhos.
A equipe, composta por veterinários e biólogos, enfrentou dificuldades na captura. O filhote deixou o ninho mais cedo que o usual, impedindo a técnica de escalada. A estratégia foi alterada para uma armadilha de laço, exigindo dias de espera silenciosa. A captura ocorreu apenas uma hora antes da desmobilização da equipe, permitindo a instalação do transmissor e a coleta de amostras.
O filhote marcado é um macho de quatro a cinco meses. O monitoramento permitirá acompanhar seu tempo de permanência perto do ninho, o início da exploração de novas áreas, as distâncias percorridas e sua área de vida. Será possível identificar corredores de conectividade e avaliar como o jovem se desloca por paisagens com fragmentação, áreas abertas e estradas.
Esses dados são fundamentais para compreender a dispersão, o potencial de recolonização e a capacidade da ave de atravessar áreas modificadas. As informações obtidas ajudarão a avaliar se a conectividade atual entre os remanescentes florestais é suficiente para a movimentação da espécie. Os resultados poderão ainda indicar áreas prioritárias para proteção, restauração e o fortalecimento de corredores ecológicos.
Para gestores ambientais e consultores, o monitoramento por telemetria oferece subsídios concretos para o planejamento e a implementação de ações de conservação em unidades de conservação e propriedades privadas. Os dados gerados poderão fundamentar decisões sobre compensação ambiental, licenciamento de empreendimentos que impactem áreas florestais e a definição de áreas críticas para a criação ou manutenção de corredores ecológicos, visando a conectividade de populações de espécies ameaçadas, como a harpia.
Com informações de ((o)) eco.
Leia também
Lista da flora ameaçada sobe para 3.730 espécies; pau-brasil vai a CR
Nova lista oficial da flora ameaçada, publicada no Diário Oficial da União, inclui 595 espécies novas e retira 74; o pau-brasil passou de Em Perigo para Criticamente em Perigo.
Fonte: ((o)) eco
Fragmentos de vegetação nativa caem 43% em 38 anos, mostra MapBiomas
Dados do módulo de Degradação do MapBiomas mostram menos área fragmentada, mas em mais pedaços cada vez menores, sobretudo na Mata Atlântica.
Fonte: Agência Brasil: Meio Ambiente

Fragmentos de vegetação nativa sobem de 2,35 mi para 3,41 mi
Entre 1986 e 2024, o Brasil ganhou mais fragmentos de vegetação nativa, e cada um ficou menor. O MapBiomas aponta a perda de conectividade como problema, e o Rio criou um programa de corredores ecológicos.
Fonte: ((o)) eco
Glossário de unidades de conservação e áreas protegidas
A diferença entre os tipos de unidade de conservação e outras áreas protegidas que restringem o uso do território.
O Giro na sua caixa de entrada
As notícias que importam para quem é da área ambiental, uma vez por semana. Sem spam.