Giro AmbientalNewsletter
Biodiversidade· 23 de julho de 2026· 2 min de leitura

Filhote de harpia monitorado por GPS na Bahia revela dados de dispersão

Pesquisadores instalaram dispositivo de telemetria em um macho jovem de 4 a 5 meses na RPPN Estação Veracel, em Porto Seguro, para entender seus deslocamentos e a conectividade florestal.

Redação Giro Ambiental· atualizado em 28 de julho de 2026
Filhote de harpia monitorado por GPS na Bahia revela dados de dispersão

Pesquisadores do Projeto Harpia Mata Atlântica, liderados pelo Dr. Áureo Banhos da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), capturaram e equiparam um filhote de harpia com um dispositivo GPS na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Estação Veracel, em Porto Seguro, Bahia. O objetivo é monitorar os deslocamentos do jovem macho, o primeiro dessa faixa etária a ser rastreado por telemetria na Mata Atlântica, para coletar dados cruciais sobre a dispersão da espécie em ambientes fragmentados e subsidiar estratégias de conservação.

A expedição de sete dias buscou obter informações que podem reescrever a história da harpia na região, onde a espécie é considerada extinta em algumas áreas. A RPPN Estação Veracel, com mais de 6 mil hectares de floresta, é um refúgio vital e abriga pelo menos outros três ninhos conhecidos de harpias, além de outras espécies como anta e onça-pintada.

O sul da Bahia concentra os principais refúgios com reprodução confirmada de harpia no bioma. Segundo o Dr. Banhos, a população é pequena e distribuída em áreas protegidas e remanescentes florestais, como os Parques Nacionais do Pau-Brasil, Monte Pascoal, Descobrimento e Serra das Lontras, e a Reserva Biológica de Una. Os desafios incluem a perda e fragmentação florestal, o isolamento entre áreas e a baixa oferta de árvores de grande porte para ninhos.

A equipe, composta por veterinários e biólogos, enfrentou dificuldades na captura. O filhote deixou o ninho mais cedo que o usual, impedindo a técnica de escalada. A estratégia foi alterada para uma armadilha de laço, exigindo dias de espera silenciosa. A captura ocorreu apenas uma hora antes da desmobilização da equipe, permitindo a instalação do transmissor e a coleta de amostras.

O filhote marcado é um macho de quatro a cinco meses. O monitoramento permitirá acompanhar seu tempo de permanência perto do ninho, o início da exploração de novas áreas, as distâncias percorridas e sua área de vida. Será possível identificar corredores de conectividade e avaliar como o jovem se desloca por paisagens com fragmentação, áreas abertas e estradas.

Esses dados são fundamentais para compreender a dispersão, o potencial de recolonização e a capacidade da ave de atravessar áreas modificadas. As informações obtidas ajudarão a avaliar se a conectividade atual entre os remanescentes florestais é suficiente para a movimentação da espécie. Os resultados poderão ainda indicar áreas prioritárias para proteção, restauração e o fortalecimento de corredores ecológicos.

Para gestores ambientais e consultores, o monitoramento por telemetria oferece subsídios concretos para o planejamento e a implementação de ações de conservação em unidades de conservação e propriedades privadas. Os dados gerados poderão fundamentar decisões sobre compensação ambiental, licenciamento de empreendimentos que impactem áreas florestais e a definição de áreas críticas para a criação ou manutenção de corredores ecológicos, visando a conectividade de populações de espécies ameaçadas, como a harpia.

Com informações de ((o)) eco.

Compartilhar:WhatsAppXLinkedIn

Leia também

O Giro na sua caixa de entrada

As notícias que importam para quem é da área ambiental, uma vez por semana. Sem spam.