R$ 1,3 bi para lixo de SP abastecer frota da Loga com biometano
A Solví e sua subsidiária Loga investem R$ 1,3 bilhão para expandir a produção de biometano em Caieiras e converter a frota de caminhões de coleta de lixo da capital paulista.

A Solví, empresa que opera o aterro sanitário de Caieiras (SP), e sua subsidiária Loga, responsável pela coleta de lixo em parte de São Paulo, investem R$ 1,3 bilhão para transformar resíduos urbanos em combustível. O objetivo é usar o biometano gerado no aterro para abastecer a frota de veículos da coleta, fechando um ciclo de economia circular que reduz a dependência de combustíveis fósseis.
Os recursos foram captados por meio de diferentes fontes. A Solví obteve R$ 800 milhões via Eco Invest, programa do Tesouro Nacional para atrair capital privado a projetos de transição ecológica, com R$ 400 milhões do Bradesco e R$ 400 milhões do Itaú. Este montante será usado para ampliar a capacidade do aterro, impermeabilizar novos compartimentos, construir novas plantas de biometano e implementar um projeto de recuperação energética de resíduos, previsto para entrar em operação em 2029.
Paralelamente, a Loga contraiu um empréstimo de R$ 500 milhões junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Parte desses recursos será destinada à substituição de sua frota de caminhões a diesel por veículos movidos a biometano, gás renovável produzido a partir da decomposição de matéria orgânica.
O aterro de Caieiras recebe diariamente 10 mil toneladas de resíduos, o que representa 60% do lixo descartado pela capital paulista. Desde 2024, o biogás gerado no local é purificado e vendido como biometano para o mercado industrial. A Solví opera atualmente três plantas de biometano: em Caieiras (SP), Minas do Leão (RS) e São Leopoldo (RS), sendo esta última recém-concluída. Em 2025, as duas primeiras geraram uma receita de R$ 150 milhões.
A estratégia da Solví mira na diversificação para a transição energética. A empresa, que faturou R$ 4,9 bilhões em 2025, planeja dobrar sua receita até 2030 com um plano de investimentos de R$ 5 bilhões nos próximos cinco anos. Dos 44 aterros operados pela Solví no Brasil, 13 possuem escala para viabilizar economicamente uma planta de biometano, e a empresa projeta a construção de 10 novas unidades.
A Loga, concessionária da coleta de lixo em São Paulo desde 2004, teve seu contrato renovado por mais 20 anos em 2024. A meta da empresa é que sua frota seja 100% movida a biometano produzido em Caieiras, consolidando um modelo de gestão de resíduos que integra a geração de energia renovável com a operação logística da coleta.
Para engenheiros, consultores e gestores ambientais, a iniciativa da Solví e Loga representa um case concreto de aplicação da economia circular em larga escala, com impacto direto na gestão de resíduos sólidos urbanos e na matriz energética. O projeto demonstra a viabilidade técnica e econômica da conversão de aterros sanitários em fontes de energia, com financiamento significativo de bancos privados e públicos. A medida estabelece um novo patamar para condicionantes e metas de descarbonização em contratos de concessão de serviços de limpeza urbana, influenciando futuras licitações e a fiscalização de emissões em frotas de grande porte.
Com informações de Capital Reset.
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