Mapa da Desigualdade aponta abismo de 24 anos na expectativa de vida em SP
Estudo divulgado pela Rede Nossa São Paulo e pelo Instituto Cidades Sustentáveis revela disparidades extremas na saúde pública, saneamento e longevidade entre distritos da capital e municípios da Região Metropolitana.

O Mapa da Desigualdade de 2025, publicado pela Rede Nossa São Paulo e pelo Instituto Cidades Sustentáveis, escancara disparidades persistentes no acesso à saúde, saneamento básico e infraestrutura urbana entre os distritos da capital paulista e as cidades da Região Metropolitana. A pesquisa cruza 45 indicadores temáticos para avaliar o cenário socioeconômico da metrópole. O levantamento aponta que a falta de saneamento adequado e de equipamentos de saúde nas periferias impacta diretamente a qualidade de vida da população. Na capital, a expectativa de vida revela um abismo de até 24 anos de diferença entre os extremos da cidade, variando de 82 anos em Alto de Pinheiros a apenas 58 anos no distrito de Anhanguera.
O estudo aponta que os hospitais de alta complexidade permanecem concentrados no centro expandido, sobrecarregando a rede de atenção primária nos distritos periféricos e gerando longas filas para exames e consultas. Cerca de 70% dos moradores da capital dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde, com cenário ainda mais crítico em regiões como Artur Alvim, Vila Maria e Ponte Rasa. Em contrapartida, bairros como Jardim Paulista, Moema e Pinheiros concentram os melhores índices de saúde, longevidade e cobertura de serviços essenciais, beneficiados por infraestrutura urbana consolidada.
A mortalidade infantil e materna segue como reflexo direto das desigualdades territoriais e socioambientais na capital. O distrito do Brás registrou o pior índice no quesito mortalidade infantil, com pontuação de 20,07, atrelado a deficiências no pré-natal e na assistência ao parto. No mesmo eixo de vulnerabilidade, a gravidez na adolescência caiu de 6,3% em 2024 para cerca de 6% em 2025 no município, mas mantém disparidades extremas. Enquanto Jardim Paulista registrou pontuação de 0,14 nesse indicador, Cidade Tiradentes e Parelheiros superaram a marca de 11% de nascimentos de mães com menos de 20 anos, grupo que enfrenta maiores riscos de complicações obstétricas como pré-eclâmpsia e partos prematuros.
Na Região Metropolitana de São Paulo, o primeiro Panorama da Desigualdade entre os 39 municípios da Grande São Paulo também revelou disparidades de até 70 pontos porcentuais em indicadores de saúde e qualidade de vida. A idade média ao morrer atingiu 76 anos em São Caetano do Sul, superando em cerca de 16 anos o índice registrado em Francisco Morato, onde a média ficou em 60 anos. No indicador de cobertura vacinal, Vargem Grande Paulista liderou com 99,88% da população-alvo imunizada, enquanto Rio Grande da Serra amargou o menor índice da região, com apenas 29,1% de cobertura.
Para os gestores públicos, analistas de órgãos ambientais e profissionais da saúde, os dados do Mapa da Desigualdade reforçam a urgência de integrar políticas de saneamento básico, expansão da rede de atenção primária e infraestrutura urbana nas periferias para mitigar fatores epidemiológicos que encurtam a expectativa de vida da população urbana.
Com informações de Jornal da USP.
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