Instituto Indígena Zág marca avanço com 100 mil mudas de araucária plantadas em Santa Catarina
Ação do povo Laklãnõ/Xokleng recupera mil hectares de áreas degradadas e protege nascentes na Terra Indígena Ibirama-Laklãnõ.

O Instituto Zág, mantido pelo povo Laklãnõ/Xokleng, já produziu mais de 140 mil mudas e plantou cerca de 100 mil exemplares de araucária em sua terra tradicional no interior de Santa Catarina. O projeto de restauração florestal abrange mil hectares de áreas degradadas e nascentes, localizados na Terra Indígena Ibirama-Laklãnõ, situada nos municípios de José Boiteux, Doutor Pedrinho, Vitor Meireles e Itaiópolis. A iniciativa busca reverter a perda histórica de habitat da espécie, classificada como criticamente ameaçada de extinção em listas internacionais. Fundado em 2017 a partir de um esforço individual iniciado no ano anterior por Carl Gakran, o instituto envolve ativamente a comunidade local em mutirões de plantio durante as férias e em doações contínuas de mudas para as dez aldeias da região. Entre 30 e 40 voluntários atuam diretamente nas atividades, número que chega a 60 pessoas nos períodos de colheita. As mulheres representam metade dos participantes ativos, engajadas tanto na coleta de sementes quanto no manejo das mudas e em oficinas de capacitação. O processo de produção segue critérios tradicionais aliados a técnicas de conservação. A colheita das pinhas respeita o limite de 60% dos frutos nas árvores fêmeas, preservando a base alimentar de ao menos 22 espécies animais. As sementes são germinadas coletivamente para garantir a diversidade genética e transferidas após um mês para saquinhos biodegradáveis feitos de cana-de-açúcar. As estruturas de viveiro utilizam telhados de palha e sombrite para regular a incidência solar, enquanto o solo é enriquecido com compostos orgânicos gerados na própria terra indígena. Além do reflorestamento com a espécie sagrada, que ocupa uma área onde vivem cerca de 2 mil pessoas de etnias como Xokleng, Guarani e Kaingang, o trabalho inclui a erradicação de espécies exóticas como pínus e eucalipto. O planejamento para o próximo período prevê a expansão da produção para outras nativas da Mata Atlântica, a exemplo de juçara, sassafrás, imbuia e xaxim, esta última utilizada na preparação de bebidas tradicionais do grupo. Para garantir a continuidade das ações, o Instituto Zág opera por meio de captação de recursos via editais, prêmios internacionais e doações de apoiadores. As próximas etapas incluem a aquisição de equipamentos tecnológicos, como drones, computadores e softwares de inteligência artificial, para aprimorar o monitoramento territorial e a geração de dados que subsidiem tanto a pesquisa ambiental quanto a proteção da área contra invasões de madeireiros e garimpeiros.
Com informações de Mongabay Brasil.
Leia também

Justiça suspende licenças e paralisa obras do complexo Maraey
Tribunal atende pedido do MPRJ, paralisa intervenções na APA de Maricá e fixa multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento.
Fonte: ((o)) eco

IA e bioacústica monitoram lobos em Yellowstone com 50 aparelhos
Projeto Cry Wolf utiliza inteligência artificial e unidades de gravação para decodificar vocalizações de lobos no Parque Nacional de Yellowstone.
Fonte: Mongabay (EN)

Poluição plástica reduz renda de pescadores no Vietnã em até 25%
Estudo avalia impacto financeiro de resíduos plásticos na pesca artesanal e aponta prejuízo médio de US$ 3.421 por embarcação ao ano.
Fonte: Mongabay (EN)
EUA gastam US$ 11 bi em lobby contra lei antidesmatamento da UE
Associaçoes industriais americanas e canadenses pressionam Bruxelas por exceçoes e atrasos no regulamento de desmatamento da UE.
Fonte: Mongabay (EN)
Mais lidas
- 1O que é potencial poluidor e como ele define o porte do licenciamento
- 2Totens de segurança em BH: projeto define regras para o uso do espaço público
- 3Como medir ruído ambiental conforme a NBR 10151
- 4Poço artesiano precisa de outorga e de licença ambiental
- 5Serra Verde tem licença corretiva e multa após Ibama apontar danos em mina
O Giro na sua caixa de entrada
As notícias que importam para quem é da área ambiental, uma vez por semana. Sem spam.