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Biodiversidade· 26 de julho de 2026· 2 min de leitura

Instituto Indígena Zág marca avanço com 100 mil mudas de araucária plantadas em Santa Catarina

Ação do povo Laklãnõ/Xokleng recupera mil hectares de áreas degradadas e protege nascentes na Terra Indígena Ibirama-Laklãnõ.

Redação Giro Ambiental
Instituto Indígena Zág marca avanço com 100 mil mudas de araucária plantadas em Santa Catarina

O Instituto Zág, mantido pelo povo Laklãnõ/Xokleng, já produziu mais de 140 mil mudas e plantou cerca de 100 mil exemplares de araucária em sua terra tradicional no interior de Santa Catarina. O projeto de restauração florestal abrange mil hectares de áreas degradadas e nascentes, localizados na Terra Indígena Ibirama-Laklãnõ, situada nos municípios de José Boiteux, Doutor Pedrinho, Vitor Meireles e Itaiópolis. A iniciativa busca reverter a perda histórica de habitat da espécie, classificada como criticamente ameaçada de extinção em listas internacionais. Fundado em 2017 a partir de um esforço individual iniciado no ano anterior por Carl Gakran, o instituto envolve ativamente a comunidade local em mutirões de plantio durante as férias e em doações contínuas de mudas para as dez aldeias da região. Entre 30 e 40 voluntários atuam diretamente nas atividades, número que chega a 60 pessoas nos períodos de colheita. As mulheres representam metade dos participantes ativos, engajadas tanto na coleta de sementes quanto no manejo das mudas e em oficinas de capacitação. O processo de produção segue critérios tradicionais aliados a técnicas de conservação. A colheita das pinhas respeita o limite de 60% dos frutos nas árvores fêmeas, preservando a base alimentar de ao menos 22 espécies animais. As sementes são germinadas coletivamente para garantir a diversidade genética e transferidas após um mês para saquinhos biodegradáveis feitos de cana-de-açúcar. As estruturas de viveiro utilizam telhados de palha e sombrite para regular a incidência solar, enquanto o solo é enriquecido com compostos orgânicos gerados na própria terra indígena. Além do reflorestamento com a espécie sagrada, que ocupa uma área onde vivem cerca de 2 mil pessoas de etnias como Xokleng, Guarani e Kaingang, o trabalho inclui a erradicação de espécies exóticas como pínus e eucalipto. O planejamento para o próximo período prevê a expansão da produção para outras nativas da Mata Atlântica, a exemplo de juçara, sassafrás, imbuia e xaxim, esta última utilizada na preparação de bebidas tradicionais do grupo. Para garantir a continuidade das ações, o Instituto Zág opera por meio de captação de recursos via editais, prêmios internacionais e doações de apoiadores. As próximas etapas incluem a aquisição de equipamentos tecnológicos, como drones, computadores e softwares de inteligência artificial, para aprimorar o monitoramento territorial e a geração de dados que subsidiem tanto a pesquisa ambiental quanto a proteção da área contra invasões de madeireiros e garimpeiros.

Com informações de Mongabay Brasil.

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