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Licenciamento· 26 de julho de 2026· 3 min de leitura

Ibama aprova licença da Petrobras na Foz do Amazonas com exclusão de resgate de peixes-bois

Órgão ambiental licenciou perfuração no poço Morpho apesar de técnicos apontarem inviabilidade no manejo de animais com mais de 50 quilos.

Redação Giro Ambiental
Ibama aprova licença da Petrobras na Foz do Amazonas com exclusão de resgate de peixes-bois

O Ibama concedeu licença para a Petrobras perfurar o poço Morpho, localizado a 179 quilômetros da costa do Amapá e a cerca de 500 quilômetros da foz do Rio Amazonas, em uma nova fronteira exploratória na Margem Equatorial que pode conter até 10 bilhões de barris de petróleo. A aprovação ocorreu à revelia dos pareceres técnicos da própria autarquia e do Ministério do Meio Ambiente, que apontaram falhas graves no Plano de Emergência Individual apresentado pela estatal para a proteção da fauna local em caso de derramamento de óleo. A decisão de liberar a atividade no final de 2025 foi tomada pela presidência do órgão ambiental após rejeições sucessivas das versões anteriores do plano técnico.

O ponto central do embate técnico envolveu a exclusão de grandes animais marinhos das operações de resgate. Nos documentos oficiais, a Petrobras classificou como inviável a captura e o transporte de espécimes com mais de 50 quilos, categoria que engloba tartarugas-marinhas adultas e o peixe-boi-marinho, espécie que pode alcançar 1,6 tonelada. Segundo a empresa, o manejo desses animais em situação de encalhe ou na água exigiria pelo menos oito operadores e geraria riscos severos de acidentes e autotraumatismo devido à força das nadadeiras e da cabeça dos mamíferos durante a contenção.

A área técnica do Ibama concluiu que o planejamento aprovado condena boa parte da megafauna local aos efeitos deletérios de um eventual vazamento de óleo. Para os animais que superam o limite de peso estipulado, a estratégia de proteção do empreendimento passou a se concentrar em medidas preventivas de afugentamento e na prevenção de acidentes, deixando de lado o resgate físico direto. Especialistas do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos alertaram que cada indivíduo perdido impacta severamente a população local, que apresenta baixa taxa reprodutiva e possui um código genético único resultante do cruzamento entre o peixe-boi-marinho e o peixe-boi-da-amazônia.

A região da foz do Rio Amazonas apresenta condições oceanográficas complexas, com ventos persistentes, tempestades frequentes e correntes marítimas até três vezes mais fortes do que aquelas registradas na Bacia de Campos, no Sudeste. O histórico operacional na área já registra incidentes, como a perda de uma broca arrastada por correntes em 2011 e o vazamento de 18 mil litros de fluido tóxico durante uma operação de perfuração em janeiro de 2026. Além disso, uma simulação de emergência realizada em agosto de 2025 para testar o plano de resposta revelou problemas logísticos com suprimentos e falhas operacionais em embarcações.

A liberação da atividade na Margem Equatorial também é contestada por procuradores da República nos estados do Amapá e do Pará, que atuam na Justiça para tentar anular a licença ambiental concedida pela autarquia federal. Enquanto a Petrobras defende que cumpriu integralmente todas as exigências estabelecidas pelo licenciamento ambiental, o setor técnico do Ibama destacou em notas internas que a área não possui similaridade com nenhuma outra bacia produtora no país em termos de sensibilidade ambiental. Na prática, a decisão impõe um precedente regulatório arriscado para a exploração de petróleo em zonas de alta vulnerabilidade ecológica sem a garantia de resgate para a fauna de grande porte.

Com informações de Mongabay Brasil.

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