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Biodiversidade· 26 de julho de 2026· 2 min de leitura

Governo eleva risco de extinção para corais-de-fogo do Brasil

Ministério do Meio Ambiente e ICMBio atualizam lista de espécies ameaçadas e colocam o gênero Millepora em categorias críticas após mortandade recorde.

Redação Giro Ambiental· atualizado em 31 de julho de 2026
Governo eleva risco de extinção para corais-de-fogo do Brasil

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade atualizaram a Lista Nacional de Espécies Aquáticas Ameaçadas de Extinção para elevar o grau de risco de todas as espécies de coral-de-fogo do gênero Millepora encontradas no litoral brasileiro. A decisão oficial, publicada em abril, reflete os impactos severos do aquecimento dos oceanos e das ondas de calor marinhas sobre os únicos sistemas recifais do Atlântico Sul, que se estendem por cerca de três mil quilômetros na costa do país.

Na nova classificação, as espécies Millepora braziliensis e Millepora laboreli foram enquadradas como criticamente em perigo, a última categoria antes da extinção na natureza. Já a espécie Millepora alcicornis, que também ocorre no Caribe, passou para a categoria em perigo após registrar mortalidade superior a 90 por cento nos eventos recentes de branqueamento. A Millepora nitida foi reclassificada como quase ameaçada pelo órgão federal.

O declínio acentuado dos recifes está diretamente associado às anomalias térmicas registradas entre 2023 e 2025, período em que o planeta enfrentou um dos maiores episódios globais de branqueamento da história, afetando 84 por cento das áreas recifais em 82 países. No Brasil, o aquecimento anômalo da água força os corais a expulsarem as zooxantelas, microalgas essenciais para sua nutrição, levando ao estresse fisiológico severo e à morte de colônias inteiras, especialmente nas regiões ao norte de Salvador.

Pesquisadores apontam que o cenário é agravado por pressões antrópicas locais, como a poluição por esgoto e fertilizantes, a contaminação por agrotóxicos, o aporte de sedimentos e a sobrepesca de peixes herbívoros. Sem esses predadores naturais para controlar a proliferação, as algas competem diretamente por espaço e sufocam os corais já fragilizados pelas mudanças climáticas globais, reduzindo drasticamente a capacidade de recuperação dos ecossistemas costeiros.

Diante da velocidade das perdas em campo, especialistas vinculados a universidades e ao Projeto Coral Vivo discutem a viabilidade de estratégias de conservação ex situ, que preveem a manutenção de espécies ameaçadas em sistemas artificiais controlados. A medida, no entanto, ainda não saiu do papel e enfrenta barreiras técnicas, financeiras e éticas para garantir a infraestrutura adequada e o financiamento de longo prazo para os organismos.

Estudos genéticos recentes realizados após o evento de branqueamento de 2019 indicam que algumas colônias possuem variações associadas a mecanismos de reparo de DNA e maior resistência térmica. Contudo, pesquisadores alertam que o potencial adaptativo pode ser insuficiente caso o número de sobreviventes continue a despencar em trechos críticos da costa, tornando o monitoramento por satélite e o controle de fontes poluidoras medidas urgentes para o licenciamento e a gestão ambiental nas zonas costeiras.

Com informações de Pesquisa FAPESP.

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