Giro AmbientalNewsletter
Biodiversidade· 25 de julho de 2026· 2 min de leitura

Estudo calcula em R$ 44 bi potencial de mercado de nitrogênio azul

Pesquisa publicada na revista Earth's Future indica que manguezais podem remover mais de 5 milhões de toneladas de nitrogênio por ano em áreas costeiras.

Redação Giro Ambiental
Estudo calcula em R$ 44 bi potencial de mercado de nitrogênio azul

Um estudo publicado na revista científica Earth's Future revelou que a restauração e conservação de manguezais no mundo podem elevar a remoção de nitrogênio costeiro para mais de 5 milhões de toneladas anuais. A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade Chinesa de Hong Kong, aponta que esses ecossistemas desempenham um papel decisivo na contenção da poluição hídrica provocada por fertilizantes agrícolas e efluentes domésticos sem tratamento.

Atualmente, a retenção promovida pelos manguezais globalmente gira em torno de 870 mil toneladas por ano. A ampliação dessa capacidade depende da proteção das áreas remanescentes e da recuperação de ecossistemas degradados. Segundo o estudo, o montante total de poluição capturada geraria um serviço ecossistêmico avaliado em US$ 8,7 bilhões (cerca de R$ 44 bilhões) por ano.

Os pesquisadores Ziyan Wang e Benoit Thibodeau defendem a estruturação de um mercado de créditos de nitrogênio azul, nos mesmos moldes dos mecanismos voltados ao sequestro de carbono. Com base em projetos experimentais, a cotação estimada para cada tonelada de nitrogênio removida da água ficaria em torno de US$ 10 mil (aproximadamente R$ 50 mil), superando o valor monetário do mercado de carbono acumulado nesses mesmos ambientes.

A poluição por nitrogênio surge do escoamento de adubos sintéticos da agricultura e da infiltração de resíduos sanitários nas bacias hidrográficas. Quando atinge o litoral em excesso, o nutriente desencadeia a proliferação descontrolada de algas. Esse processo de eutrofização reduz o oxigênio dissolvido na água, resultando no surgimento de zonas mortas e na mortandade em massa da fauna marinha em locais como o Golfo do México, o Mar Báltico e o Mar Amarelo.

O trabalho adverte que a capacidade purificadora dos manguezais possui limites funcionais. Caso os níveis de poluição lançados na costa ultrapassem o limiar de absorção do ecossistema, o serviço ambiental cessa, agravando a degradação hídrica exatamente nas áreas de maior pressão antrópica.

Para gestores ambientais, consultores e formuladores de políticas públicas, os dados reforçam a urgência de integrar a conservação de manguezais aos planos de segurança hídrica e ao licenciamento ambiental de empreendimentos costeiros. A inclusão da remoção de nutrientes na valoração ambiental pode abrir novas frentes de financiamento privado para restauração ecológica, associando a meta de despoluição hídrica ao cumprimento de condicionantes ambientais e compensações regulatórias.

Com informações de Mongabay Brasil.

Compartilhar:WhatsAppXLinkedIn

Leia também

O Giro na sua caixa de entrada

As notícias que importam para quem é da área ambiental, uma vez por semana. Sem spam.