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Biodiversidade· 24 de julho de 2026· 2 min de leitura

Amazônia: Desmatamento cai para 736 mil hectares em 2025, mas El Niño ameaça 2026

Relatório do Maap aponta redução na perda florestal, mas atividades ilegais persistem e a previsão é de agravamento das queimadas em 2026 sob influência do El Niño.

Redação Giro Ambiental
Amazônia: Desmatamento cai para 736 mil hectares em 2025, mas El Niño ameaça 2026

O desmatamento na Amazônia alcançou 736.484 hectares em 2025. Embora represente uma queda em comparação com anos anteriores, o número ainda é elevado, e quase 132 mil hectares foram removidos ilegalmente. O Projeto de Monitoramento da Amazônia Andina (Maap), da Amazon Conservation, publicou seu relatório anual em junho, alertando para um cenário desafiador em 2026 devido ao fenômeno El Niño.

Os dados de 2025, divulgados no final de abril pela Universidade de Maryland, são compilados a partir de imagens de satélite da Nasa e da Agência Espacial Europeia. O Maap analisou essas informações, detalhando as tendências anuais de perda florestal na Amazônia. Apesar da redução em algumas métricas, o diretor do Maap, Matt Finer, enfatiza a preocupação com o nível de desmatamento, que permanece distante da meta de desmatamento zero.

A análise do Maap distingue a perda florestal causada por incêndios daquela provocada por outros fatores diretos, como agropecuária e mineração. Em 2025, os incêndios foram responsáveis pela perda de 1,5 milhão de hectares. Este número é inferior aos 2,8 milhões de hectares de 2024, ano em que o El Niño já havia intensificado as queimadas. Apesar de terras afetadas por fogo poderem se recuperar, a reincidência de queimadas em áreas degradadas pode inviabilizar a restauração, conforme Elizabeth Goldman, codiretora da Global Forest Watch.

A perda florestal não relacionada a incêndios, que reflete diretamente a ação humana, atingiu pouco mais de 1 milhão de hectares em 2025. Este é o quinto menor índice desde 2002 e representa uma queda significativa em comparação com os quase 2 milhões de hectares registrados em 2022. As principais causas continuam sendo a agricultura e a pecuária, responsáveis por 94,6% do desmatamento, seguidas pela mineração de ouro (5,3%) e pela construção de estradas (0,1%).

Do total desmatado, aproximadamente 132 mil hectares foram removidos de forma ilegal, com registros de degradação em unidades de conservação e territórios indígenas. Embora a mineração e a construção de estradas representem percentuais menores no desmatamento total, seu impacto é desproporcional em áreas protegidas, onde a mineração responde por 11% da perda florestal. As estradas, mesmo com pequena remoção direta, funcionam como vetores para outras atividades predatórias.

Geograficamente, o Brasil concentra mais da metade do desmatamento, com cerca de 560 mil hectares, seguido por Peru, Bolívia e Colômbia. Contudo, a Bolívia se destaca proporcionalmente nas taxas de perda florestal por fogo e por outras causas, especialmente devido à expansão da soja no departamento de Santa Cruz.

A queda em 2025 não elimina a preocupação com a previsão para 2026. O “super El Niño” deve agravar o cenário, favorecendo as queimadas e criando condições de seca. Profissionais da área ambiental reforçam que a persistência do desmatamento ilegal em áreas protegidas e terras indígenas exige atenção redobrada aos processos de licenciamento e fiscalização. A combinação de eventos climáticos extremos e a pressão por atividades econômicas reforça a necessidade de políticas ambientais mais robustas e de um monitoramento contínuo para mitigar riscos de infrações e passivos.

Com informações de Mongabay Brasil.

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