Sete agrotóxicos mais vendidos no Brasil são proibidos na União Europeia
Pesquisa apresentada na SBPC aponta que o Brasil liderou importação de pesticidas proibidos na UE em 2023, somando 3 mil toneladas.

Sete dos dez agrotóxicos mais comercializados no Brasil são proibidos na União Europeia, segundo levantamento apresentado pela geógrafa Larissa Mies Bombardi durante a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói (RJ). A pesquisadora do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento apontou que o Brasil foi o principal destino de exportação desses defensivos agrícolas proibidos no exterior pelas indústrias europeias, recebendo 3 mil toneladas em 2023. O volume supera a somatória dos três países seguintes no ranking, que foram Ucrânia, Estados Unidos e Rússia, totalizando 2,6 mil toneladas.
A exposição destaca que o país aceita a aplicação de substâncias restritas no exterior devido a riscos como carcinogenicidade, malformação fetal e distúrbios hormonais, além de severos impactos sobre a biodiversidade. Como exemplo, a pesquisadora citou a redução de 41% no número de insetos no mundo e de 53% no caso de borboletas entre 2009 e 2019, conforme dados do Atlas dos Pesticidas 2022. Outro defensivo citado é a atrazina, sexto mais vendido no Brasil, apontado como causador de anomalias em anfíbios.
O mercado global de sementes e agrotóxicos é concentrado em quatro companhias, sendo duas alemãs (Basf e Bayer), uma americana (Corteva) e uma chinesa (Sinochem). Juntas, elas detêm 51% do mercado global de sementes e 62% do setor de agrotóxicos, estrutura moldada por sucessivas fusões e aquisições ao longo dos anos.
No âmbito legal brasileiro, a Lei 14.785, conhecida como Lei dos Agrotóxicos e em vigor desde 2023, regula a concessão de registros por meio de uma atuação conjunta entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama).
Em nota enviada à Agência Brasil, a Anvisa esclareceu que os registros concedidos possuem validade indefinida, mas que a legislação prevê reavaliações periódicas sempre que há indícios de perigo à saúde ou ao meio ambiente. Desde 2006, o órgão concluiu 20 reavaliações, resultando no banimento de 13 ingredientes ativos, como paraquate, carbendazim e carbofurano, enquanto seis receberam restrições específicas e apenas um foi mantido sem ressalvas.
Atualmente, a Anvisa mantém quatro processos de reavaliação em andamento, referentes ao tiofanato-metílico, epoxiconazol, procimidona e clorpirifós, e aguarda o início da análise para o linurom e o clorotalonil, enquanto o carbendazim teve o banimento decretado na última lista priorizada.
Com informações de Agência Brasil: Meio Ambiente.
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