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Biodiversidade· 29 de julho de 2026· 2 min de leitura

ICMBio autoriza manejo de planta amazônica para obter ibogaína

Coleta autorizada pelo órgão ambiental em reserva extrativista do Acre testa alternativa sustentável ao extrativismo predatório do arbusto africano.

Redação Giro Ambiental
ICMBio autoriza manejo de planta amazônica para obter ibogaína

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) autorizou a coleta experimental de uma espécie vegetal na Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes, no Acre, para a extração do precursor químico da ibogaína. A iniciativa, liderada pelo pesquisador Ricardo Marques, busca criar um modelo sustentável de fornecimento do composto a partir da flora nativa da Amazônia, sem provocar o esgotamento dos espécimes em seu habitat natural.

A ibogaína é um alcaloide tradicionalmente extraído do arbusto africano Tabernanthe iboga, utilizado em pesquisas médicas para o tratamento de dependência química de opioides. Na África Equatorial, a colheita predatória provocou escassez severa do recurso, pois o método tradicional exige o arranque completo da raiz de plantas que levam até 30 anos para atingir a maturidade. Em resposta aos danos ecológicos, governos locais como o do Gabão proibiram a exportação do insumo.

Diferente do método destrutivo praticado no continente africano, o projeto desenvolvido na Amazônia apoia-se em um protocolo de manejo que preserva o indivíduo vegetal. A técnica permite a coleta periódica de partes da planta ricas em voacangina, composto de estrutura química semelhante que é convertido em ibogaína, viabilizando a regeneração do arbusto e a sustentabilidade ecológica da exploração.

O trabalho na Resex Chico Mendes envolve a capacitação de famílias extrativistas locais para o mapeamento por geolocalização, coleta e secagem do material vegetal. O envolvimento comunitário visa estruturar uma cadeia socioambiental em uma Unidade de Conservação historicamente pressionada por conflitos agrários e desmatamento, gerando renda para as populações tradicionais.

Por razões de propriedade intelectual e para evitar a exploração predatória ou a biopirataria da vegetação nativa, o nome científico da planta mantido em sigilo. A empresa de biotecnologia Hylaea, criada pelo pesquisador em parceria com o Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP), atua na otimização da síntese em escala e realizou os primeiros envios do insumo em lotes de teste para compradores nos Estados Unidos e em Israel.

No Brasil, a ibogaína não possui regulamentação sanitária para uso terapêutico nem autorização para comercialização no mercado interno. Para os profissionais de gestão ambiental e licenciamento, a experiência serve como caso prático de acesso ao patrimônio genético em Unidade de Conservação do grupo de Uso Sustentável, combinando licença do órgão ambiental federal, repartição local de benefícios e técnica de manejo que evita o esgotamento da espécie.

Com informações de Mongabay Brasil.

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