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Resíduos· 27 de julho de 2026· 2 min de leitura

FluxLab mede emissões de 42 aterros no Canadá para nova norma de metano

Pesquisa de campo com veículos e aeronaves avaliou o desempenho de aterros sanitários em climas frios e áridos para subsidiar o governo federal canadense.

Redação Giro Ambiental
FluxLab mede emissões de 42 aterros no Canadá para nova norma de metano

O grupo de pesquisa FluxLab, vinculado à Universidade St. Francis Xavier, em Antigonish, publicou um estudo revisado por pares que avaliou as emissões de metano em 42 aterros sanitários no Canadá. A campanha de campo utilizou veículos utilitários equipados com instrumentos de medição e aeronaves para sobrevoar os locais, cruzando dados reais com modelos tradicionais de inventário de gases de efeito estufa. O levantamento serviu de base técnica para a formulação da primeira regulamentação federal de metano para aterros sanitários no país, finalizada no ano passado.

Historicamente, o governo canadense dependia de ferramentas de modelagem genéricas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e de pesquisas voluntárias enviadas por operadores locais para estimar as emissões do setor de resíduos sólidos. Como as províncias detêm a competência de licenciamento e fiscalização dos aterros, a consolidação de dados nacionais sofria com lacunas e incertezas sobre a idade dos maciços de lixo e os volumes efetivos recebidos ao longo dos anos, dificultando o controle de metas de redução.

Para superar essas limitações, a equipe liderada pelo pesquisador Dave Risk adaptou tecnologias de monitoramento inicialmente testadas em instalações de óleo e gás. Em 2022, dois veículos percorreram estradas canadenses em viagens de vários meses para rastrear 120 alvos potenciais, enquanto aeronaves equipadas com sistemas de balanço de massa sobrevoavam simultaneamente operações em províncias como Ontário, Quebec e Alberta para validar as leituras terrestres.

Os resultados indicaram que as emissões mensuradas em campo foram frequentemente inferiores às previsões teóricas dos modelos, especialmente em aterros situados em regiões de clima frio e árido. A pesquisa também apontou que a geração de metano é fortemente influenciada pelas condições climáticas locais, demonstrando que os parâmetros padrão aplicados em áreas subárticas precisavam de ajustes e refinamentos específicos.

Outro ponto central do estudo foi a constatação sobre a eficiência dos sistemas de captação de biogás. Os pesquisadores identificaram que a frente de trabalho dos aterros libera volumes significativos de metano que muitas vezes escapam dos dutos, inclusive em plantas voltadas à produção de gás natural renovável (GNR), onde a otimização da biodegradação pode gerar pontos de fuga adicionais na infraestrutura de coleta.

O levantamento também incluiu aterros de pequeno porte, pouco comuns em estudos de monitoramento em países vizinhos como os Estados Unidos. A análise revelou que pequenas unidades municipais apresentam baixa eficiência na retenção de gases devido à proporção desfavorável entre a área da frente de trabalho ativa e a pilha total de resíduos, apontando gargalos operacionais que exigem novas diretrizes de engenharia e controle ambiental para o setor.

Para os profissionais de engenharia ambiental, consultores e operadores de aterros, a pesquisa consolida a transição de inventários baseados em estimativas teóricas para o monitoramento direto com sensores em campo. A experiência canadense demonstra que a fiscalização federal e o licenciamento ambiental tendem a exigir medições mais rigorosas e específicas para as realidades climáticas regionais, impactando diretamente os custos e os projetos de sistemas de captação e queima de biogás em instalações de qualquer porte.

Com informações de Waste Dive.

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