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Resíduos· 04 de agosto de 2026· 2 min de leitura

Exportação de 52 mil t de plástico britânico contamina agricultura na Turquia

Levantamento da EIA e estudo universitário apontam alta de até 132 vezes na concentração de microplásticos em canais agrícolas em Adana.

Redação Giro Ambiental· atualizado em 04 de novembro de 2026
Exportação de 52 mil t de plástico britânico contamina agricultura na Turquia

Entre maio de 2021 e julho de 2024, 13 empresas do Reino Unido enviaram 545 remessas de resíduos plásticos domésticos e de supermercados, somando 52 mil toneladas, para a zona industrial de reciclagem de Kemal Deniz, em Adana, no sul da Turquia. A revelação decorre de um levantamento da organização Environmental Investigation Agency (EIA) em parceria com o jornal The Guardian, acompanhado de um estudo acadêmico que aponta que o efluente das usinas instaladas no local eleva drasticamente a contaminação por microplásticos na rede de canais de irrigação da região agrícola da planície de Çukurova.

A pesquisa conduzida pelo biólogo marinho Sedat Gündoğdu, do Centro de Políticas de Istambul da Universidade Sabancı, e publicada na revista Environmental Monitoring and Assessment, analisou amostras de água nos canais agrícolas que cercam o complexo industrial. Os resultados indicaram que a concentração de microplásticos nas águas a jusante das instalações de reciclagem chega a ser até 132 vezes maior em comparação aos pontos localizados a montante dos descartes.

Além da presença de fragmentos e películas plásticas características do processamento de reciclagem, a infraestrutura da região enfrenta o acúmulo de resíduos não recicláveis. Dados da União das Câmaras de Engenheiros e Arquitetos da Turquia apontam que quase 50% dos resíduos plásticos importados de países europeus são rejeitos sem viabilidade de reciclagem, resultando em descartes irregulares ao longo de estradas e queimadas ao ar livre que geram plumas de fumaça tóxica sobre lavouras e áreas residenciais.

A Turquia tornou-se o principal destino dos resíduos plásticos da União Europeia e do Reino Unido após a China banir a importação desse tipo de material em 2018. Apenas a província de Adana absorve cerca de 60% de todo o plástico importado pelo país, ultrapassando a capacidade operacional e de fiscalização dos órgãos ambientais locais. O fluxo contínuo de materiais contaminados e misturados sobrecarrega a infraestrutura de tratamento de efluentes e de destinação final.

Do ponto de vista regulatório internacional, as empresas britânicas atuam dentro da legalidade formal ao exportar resíduos, mas a legislação do Reino Unido exige que os exportadores garantam que o tratamento no destino ocorra de maneira ambientalmente adequada. Enquanto a União Europeia aprovou restrições mais severas para controlar e limitar o envio de resíduos plásticos para países fora da OCDE, o Reino Unido mantém o fluxo de exportações em níveis elevados, tendo embarcado cerca de 140 mil toneladas do material para a Turquia em 2025.

Para os profissionais e gestores do setor ambiental, o caso reforça o endurecimento das exigências de rastreabilidade na cadeia de suprimentos e na logística reversa de embalagens plásticas. A responsabilidade pós-consumo tende a cobrar das empresas geradoras a comprovação técnica auditável do destino final dos resíduos, sob risco de responsabilização por contaminação transfronteiriça de solos e recursos hídricos e descumprimento de deveres de diligência ambiental.

Com informações de The Guardian: Environment.

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