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Resíduos· 10 de setembro de 2026· 2 min de leitura

Resolução mira 34% de reciclagem no país até 2035

Nova meta da Resolução CG-PCVR Nº 2/2026 estabelece diretrizes para elevar a taxa de reaproveitamento de resíduos no Brasil.

Por Rafael Barcelar· Editor, engenheiro (CREA-MG)
Resolução mira 34% de reciclagem no país até 2035

O Brasil registrou avanço na destinação de resíduos sólidos, saltando de uma taxa de reciclagem de 4% em 2024 para 8,7% em 2025, conforme dados divulgados pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe). O volume total gerado no país alcança a marca de 80 milhões de toneladas anuais. Para alterar esse patamar, a Resolução CG-PCVR Nº 2/2026 traz uma proposta governamental com o objetivo de fazer a taxa de reciclagem de materiais secos e orgânicos atingir 34,5% até 2035.

A transição para o novo modelo produtivo exige a reestruturação na forma como as indústrias lidam com matéria-prima. O cumprimento das metas previstas na norma depende de investimentos robustos em tecnologia e inovação para aprimorar os processos de triagem e reprocessamento, garantindo que os insumos reciclados atinjam desempenho equivalente ou superior ao dos recursos virgens.

Um estudo inédito elaborado pela consultoria BIP para a BP Security dimensionou os ganhos ambientais e financeiros da economia circular no processamento de resíduos de papel-moeda. A análise avaliou o aproveitamento de aparas para a produção de fibra reciclada em substituição ao uso de algodão virgem como matéria-prima principal na atividade produtiva.

Os resultados técnicos apontam uma redução de 92% nas emissões de gases de efeito estufa na rota com material reciclado. O indicador chegou a 205 kgCO₂e por tonelada de aparas processadas, enquanto a utilização de algodão virgem registrou 2.687 kgCO₂e por tonelada. A substituição evitou a extração de recursos novos e transformou o passivo ambiental em ativo operacional.

Viabilidade financeira e econômica

Além da vantagem climática, o estudo identificou retorno econômico direto para a operação avaliada. A adoção da nova rota de reciclagem para as aparas gerou um impacto financeiro líquido estimado em R$ 249 mil ao ano para a Casa da Moeda, demonstrando que o reaproveitamento deixa de ser apenas um custo de destinação para assumir papel de monetização.

A adaptação a essa nova realidade regulatória e de mercado exige que os profissionais da indústria e da gestão ambiental antecipem o ciclo de vida dos produtos desde a concepção. O planejamento passa a incluir a forma como o item será desmontado e reintegrado à cadeia produtiva, reduzindo a dependência de aterros e consolidando as exigências da Política Nacional de Resíduos Sólidos na prática empresarial.

Com informações de Um Só Planeta.

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